terça-feira, 14 de novembro de 2017

Complexa Obsessão (14 de novembro)

“A obsessão de qualquer natureza, nada mais é que duas forças simpáticas que se chocam e se conjugam numa permuta da afinidade.”                                                     Dr. Bezerra de Menezes

Para que possamos entender esta afirmação de Bezerra de Menezes é necessário procurar compreender o processo obsessivo nas diversas formas em que se apresenta. Para compreensão deste tema complexo e vasto que a todos toca, recomendamos o Estudo da Codificação, nomeadamente Livro dos Médiuns Livro dosEspiritos e Revistas Espíritas como complemento).

Aqui ficam alguns excertos que consideramos pertinentes acerca do tema sendo que muito, muito mais há por explorar.

"Q.459. Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?
      — Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque  muito frequentemente são eles que vos dirigem."
Livro dos Espíritos

"No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegarem a dominar alguém, identifica-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança.
 A obsessão apresenta característica diversas que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz. A palavra obsessão é portanto um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenómenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação."
Livro dos Médiuns, Cap. 23– DA OBSESSÃO, n°  237.
  
"Com etiologia muito complexa, a alienação por obsessão continua sendo um dos mais terríveis flagícios para a Humanidade.
Não significando a morte o fim da vida, antes o inicio de nova expressão de comportamento, em que o ser eterno retorna ao Mundo Espiritual donde veio, a desencarnação liberta a consciência que jazia agrilhoada aos liames carnais, ora desarticulando, ora ampliando as percepções que melhor se fixaram nos painéis da mente, fazendo que o ser, agora livre do corpo físico, se revincule ou não aos sítios, pessoas ou aspirações que sustentou durante a vilegiatura carnal.
O amor, por constituir alta aspiração do Espírito, mantêm-no em comunhão com os objetivos superiores que lhe representam sustento e estímulo, na marcha do progresso.(...)  Terapêutica salutar,
porém, para a magna questão, é a Doutrina Espírita. Não apenas como profilaxia, mas, ainda, como terapêutica eficiente, por assentar as suas lições e postulados nos sublimes ensinamentos de Jesus-Cristo, com toda a justiça cognominado “O Senhor dos Espíritos”, graças à sua ascendência, várias vezes demonstrada, ante as Entidades ignorantes, perturbadoras e obsessoras.
A Allan Kardec, o ínclito Codificador do Espiritismo, coube a tarefa de aprofundar sondas e bisturis no organismo e na etiologia das alienações por obsessão, projetando luz, meridiana sobre a intricada enfermidade da alma. 
Kardec não somente estudou a problemática obsessiva, como também ofereceu medidas profiláticas e terapêutica salutar, firmado na informação dos Espíritos Superiores, na vivência com os obsidiados, como pela observação profunda e meticulosa com que elaborou verdadeiros tratados de Higiene Mental, que são as obras do Pentateuco Espírita, esse incomparável monólito de luz, que inaugurou era nova para a Ciência, para a Filosofia, tornando-se o Espiritismo a Religião do homem integral, da criatura ansiosa por religação com o seu Criador. Diante de qualquer expressão em que se apresentem as alienações por obsessão ou em que se manifestem suas sequelas, mergulhemos a mente e o coração no organismo da Doutrina Espírita, e, procurando auxiliar o paciente encarnado a desfazer-se do jugo constrangedor, não olvidemos o paciente desencarnado, igualmente infeliz, momentaneamente transformado em perseguidor ignorante, embora se dizendo consciente, mas sofrendo, de alguma forma, pungentes dores morais. Concitemos o encarnado à reformulação de idéias e hábitos, à oração e ao serviço, porquanto, através do exercício da caridade, conseguirá, sensibilizar o temporário algoz, que o libertará, ou granjeará títulos de enobrecimento, armando-se de amor e equilíbrio para prosseguir em paz, jornada a fora. (…) E em qualquer circunstância procuremos em Jesus, Mestre e Guia de todos nós, o amparo e a proteção, entregando-nos a Ele através da prece e da ação edificante, porque somente por meio do amor o homem será salvo, já que o amor é a alma da caridade.
Obsessões e obsidiados são as grandes chagas morais dos tumultuados dias da atualidade. Todavia, a Doutrina Espírita, trazendo de volta a mensagem do Senhor, em Espírito e Verdade, é o portal de luz por onde todos transitaremos no rumo da felicidade real que nos aguarda, quando desejemos alcançá-la."
Manoel Philomeno de Miranda
(espírito), Psicografia de Divaldo P. Franco na noite de 13-11-1976, no Centro,
Espírita “Caminho da Redenção”, em Salvador, Bahia

A obsessão demasiado prolongada pode ocasionar desordens patológicas, exigindo por vezes um tratamento simultâneo ou consecutivo, seja magnético ou médico, para o restabelecimento do organismo. A causa tendo sido afastada, ainda resta combater os efeitos. (Ver Livro dos Médiuns, cap. XXIII, da obsessão; e a Revista Espírita, números de fevereiro e março de 1864 e  de abril de 1865: exemplos de curas de obsessão)."                                                     E. S. E. Cap. XXVII, item84

"Cabia ao Espiritismo provar, pela experiência e pela lei que rege as relações do mundo visível com o mundo invisível, que a expressão: extinguir o ódio com o sangue é radicalmente falsa, pois a verdade é que o sangue conserva o ódio no além-túmulo. Ele dá, por conseguinte, uma razão de ser efetiva e uma utilidade prática ao perdão, bem como à máxima de Cristo: Amai os vossos inimigos. Não há coração tão perverso que não se deixe tocar pelas boas ações, mesmo a contragosto. O bom procedimento não dá pelo menos, nenhum pretexto a represálias, e, com ele se pode fazer, de um inimigo, um amigo antes e depois da morte. Com o mau procedimento ele se irrita, e é então que serve de instrumento à justiça de Deus, para punir aquele que não perdoou."
E. S. E. Cap. XII, item 5
Para refletir com Humor…



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Anjo da guarda minha doce companhia (7 de novembro)

"Todos nós temos um Bom Espírito, ligado a nós desde o nascimento, que nos tomou sob a sua proteção. Cumpre junto a nós a missão de um pai junto ao filho: a de nos conduzir no caminho do bem e do progresso, através das provas da vida. Ele se sente feliz quando correspondemos à sua solicitude, e sofre quando nos vês sucumbir. Seu nome pouco importa, pois que ele pode não ter nenhum nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como o nosso Anjo Guardião, o nosso Bom
Gênio. Podemos mesmo invocá-lo com o nome de um Espírito Superior, pelo qual sintamos uma simpatia especial." 

 E. S. E. Cap. XXVII, item11    

 "Q.n489. Há Espíritos que se ligam a um indivíduo em particular para o  proteger?                                                      
       — Sim, o irmão espiritual; é o que chamais o bom Espírito ou o bom gênio.
 Q. n 490. Que se deve entender por anjo da guarda?
      — O Espírito protetor de uma ordemelevada.
 Q. n  491.Qual a missão do Espírito protetor?
      — A de um pai para com os filhos: conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos,consolá-lo nas suas aflições sustentar sua coragem nas provas da vida.
 Q. n 492. O Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde o seu nascimento?
      — Desde o nascimento até a morte, e frequentemente o segue depois da morte, na vida espírita, e mesmo através de numerosas experiências corpóreas porque essas existências não são mais do que fases bem curtas da vida do Espírito."
Livro dos Espíritos

"Há uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos, por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos da guarda. Pensar que tendes sempre ao vosso lado seres que vos são superiores, que estão sempre ali para vos aconselhar, vos sustentar, vos ajudar a escalar a montanha escarpada do bem, que são amigos mais firmes e mais devotados que as mais íntimas ligações que se possam contrair na Terra, não é essa uma ideia bastante consoladora? Esses seres ali estão por ordem de seu Deus, que os colocou ao vosso lado; ali estão por seu amor, e cumprem junto a vos todos uma bela mas penosa missão. Sim, onde quer que estiverdes, vosso anjo estará convosco: nos cárceres, nos hospitais, nos antros do vício, na solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mas do qual vossa alma recebe os mais doces impulsos e ouve os mais sábios conselhos.
Ah!, por que não conheceis melhor esta verdade? Quantas vezes ela vos ajudaria nos momentos de crise; quantas vezes ela vos salvaria dos maus Espíritos! Mas no dia decisivo este anjo de bondade terá muitas vezes de vos dizer: “Não te avisei disso? E não afizeste! Não te mostrei o abismo? E nele te precipitaste!
Não fiz soar na tua consciência a voz da verdade, e não seguiste os conselhos da mentira?”. Ah!, interpelai vossos anjos da guarda, estabelecei entre vós e eles essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos! Não penseis em lhes ocultar nada, pois eles são os olhos de Deus e não os podeis enganar! Considerai o futuro; procurai avançar nesta vida, e vossas provas serão mais curtas,vossas existências mais felizes. Vamos, homens, coragem! Afastai para longe de vós, de uma vez por todas, preconceitos e segundas intenções! Entrai na nova via que se abre diante de vós, marchai,marchai! Tendes guias, segui-os; a meta não vos pode faltar porque essa meta é o próprio Deus."  

                                                       São Luis, Santo Agostinho.- Questão n° 495 do Livro dos Espíritos

Muito embora a prece deva ser feita de coração, usando dos pensamento e palavras  que povoam o nosso ser, aqui fica uma Prece ao Anjo da Guarda sugerida no Evangelho Segundo o Espiritismo, para que observemos aquilo que deve ser pedido e ao qual os Espíritos Superiores que nos dirigem são sensíveis:

"Prece ao Anjo da Guarda –  Espíritos amados, Anjos Guardiães, vós a quem Deus, na sua infinita misericórdia, permite velarem, pelos homens, sede o nosso amparo nas provas desta vida terrena. Dai-nos a força, a coragem e a resignação; inspirai-nos na senda do bem, detendo-nos no declive do mal; que vossa doce influência impregne as nossas almas; fazei que sintamos a presença, ao nosso lado, de um amigo devotado, que assista os nossos sofrimentos e participe das nossas alegrias. E vós, meu Anjo Bom, nunca me abandoneis. Necessito de toda a vossa proteção, para suportar com fé e amor as provas que Deus quiser enviar-me."
                                                                                   E. S. E. Cap. XXVII, item14 (Onegrito no texto é nosso)

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Morro de Medo de Morrer (31 de outubro)

Morro de Medo de Morrer...

Por que é que a morte sendo um fenómeno natural ainda é considerada sinistra e tão misteriosa?
Por que é tão incompreendida e provoca tanto sofrimento, sobretudo, quando surpreende os nossos seres amados?

São algumas das questões que nos visitam. Ainda que procuremos afastá-las, como se ignorando o fim da Vida terrena ele não acontecesse.

A presença da morte, natural no Ciclo da Vida, torna-se pouco natural quando bate à nossa porta ou à porta daqueles que amamos.

Felizmente Kardec matou a morte, mostrando que a morte de natureza humana é a libertação do ser Espiritual. O Espiritismo, considerado o Consolador prometido, tem neste aspeto um papel fundamental no esclarecimento e pacificação dos nossos corações, quando nos ajuda a compreender que a morte não é o fim, mas uma transição, que ninguém perde aqueles que ama, pois os laços que nos unem duram para sempre e o reencontro será uma certeza.

Na Codificação podemos encontrar, no Livro dos Espíritos, Evangelho segundo o Espiritismo, Céu e Inferno,..., maravilhosos e completos esclarecimentos acerca deste tema que nos toca a todos.

Aqui fica algo verdadeiramente consolador:

Os Laços de Família são Fortalecidos pela Reencarnação e Rompidos pela Unicidade da Existência
18 – Os laços de família não são destruídos pela reencarnação, como pensam certas pessoas. Pelo contrário, são fortalecidos e reapertados. O princípio oposto é que os destrói.
Os Espíritos formam, no espaço, grupos ou famílias, unidos pela afeição, pela simpatia e a semelhança de inclinações. Esses Espíritos, felizes de estarem juntos, procuram-se. A encarnação só os separa momentaneamente, pois que, uma vez retornando a erraticidade, eles se reencontram, como amigos na volta de uma viagem. Muitas vezes eles seguem juntos na encarnação, reunindo-se numa mesma família ou num mesmo círculo, e trabalham juntos para o seu progresso comum. Se uns estão encarnados e outros não, continuarão unidos pelo pensamento. Os que estão livres velam pelos que estão cativos, os mais adiantados procurando fazer progredir os retardatários. Após cada existência terão dado mais um passo na senda da perfeição.
Cada vez menos apegados à matéria, seu afeto é mais vivo, por isso mesmo que mais purificado, não perturbado pelo egoísmo nem obscurecido pelas paixões. Assim, eles poderiam percorrer um número ilimitado de existências corporais, sem que nenhum acidente perturbe sua afeição comum.
Estenda-se bem que se trata aqui da verdadeira afeição espiritual, de alma para alma, a única que sobrevive à destruição do corpo, pois os seres que se unem na Terra apenas pelos sentidos, não têm nenhum motivo para se preocuparem no mundo dos Espíritos. Só são duráveis as afeições espirituais. As afeições carnais extinguem-se com a causa que as provocou; ora, essa causa deixa de existir no mundo dos Espíritos, enquanto a alma sempre existe. Quanto às pessoas que se unem somente por interesse, nada são realmente uma para outra: a morte as separa na Terra e no Céu.
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.IV - item18
O que verdadeiramente importa não é a quantidade de tempo que vivemos mas a qualidade, desta forma podemos ainda encontrar no Evangelho:
"Espíritas; amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além túmulo, que acreditáveis vazios, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!"
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.VI - item5



Lembremos sempre aqueles que amamos independentemente de se encontrarem ou não na Terra. O amor, o carinho, a gratidão não dependem de um corpo mas de um sentimento verdadeiro.

Uma prece sentida, envolta em amor leva conforto e auxilio aqueles que nos são queridos e que neste momento se encontram do outro lado da Vida.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Escutar e Ouvir os Sentimentos à luz do Espiritismo (24 de outubro)



"Urge reconhecer que no sentimento reside o controle da vida.
Na romagem terrestre, múltiplos são os caminhos que conduzem ao aperfeiçoamento.
Fartura e escassez, formosura e fealdade, alegria e sofrimento, liberdade e tolhimento, podem aliciar excelentes possibilidades de realização humana para a espiritualidade superior.
O homem de coração dobre, porém, é infiel às bênçãos divinas em todos os setores da luta construtiva.
Se recebe talentos da riqueza terrestre, entrega-se, comumente, às alucinações da vaidade.
Se detém os dons da pobreza, liga-se, quase sempre, aos monstros da inconformação.
Se possui belo corpo dá-se, em via de regra, aos excessos destruidores.
Se dispõe de vaso orgânico defeituoso, na maioria dos casos perde o tempo em desespero
inútil.
No prazer, é incontido.
Na dor, é revoltado.
Quando livre, oprime os irmãos e escraviza-os.
Quando subalterno, perturba os semelhantes e insinua a indisciplina.
O sentimento é o santuário da criatura. Sem luz aí dentro, é impossível refletir a paz
luminosa que flui incessantemente de Cima.
Ofereçamos ao Senhor um coração firme e terno para que as divinas Mãos nele gravem os augustos Desígnios. Atendida semelhante disposição em nossa vida íntima, encontraremos em todos os caminhos o abençoado lugar de cooperadores da divina Vontade."
Livro Vinha de luz, Cap. n 29, de Emmanuel psicografia de Chico Xavier

Jesus disse: “Amai ao vosso próximo como a vós mesmos”; ora, qual é o limite do próximo? Será a família, a seita, a nação? Não: é toda a humanidade! (...)Os efeitos da lei do amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se, quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática deste
princípio: “Não façais aos outros os que não quereis que os outros vos façam, mas fazei, pelo contrário, todo o bem que puderdes”.
E. S. E. Cap. XI, item 9

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Quês e porquês da existência de um Espírita (10 de outubro)

Considerámos pertinente abordar o inicio da Doutrina Espirita, os percursores do Espiritismo, factos históricos que nos ajudam a compreender o caminho feito até aqui, e, nele nos posicionarmos para seguir em diante.

Este tema, renderá por certo trabalho para várias terças feira, nesta porém, daremos inicio com "Deus e Jesus" princípios sobre os quais assentarão todos os demais conteúdos.
O objetivo final de todos nós que nos identificamos com a Doutrina será certamente alcançar o que nos é trazido na seguinte passagem do Evangelho Segundo o Espiritismo:

"Os Bons Espíritas
O Espiritismo bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, conduz forçosamente aos resultados acima, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pois um e outro são a mesma coisa. O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.
Muitos, porém, dos que crêem na realidade das manifestações, não compreendem as suas consequências nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem, não os aplicam a si mesmos. Por que acontece isso? Será por uma falta de precisão da doutrina? Não, porque ela não contém alegorias, nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é a sua própria essência, e é isso que lhe dá força, para que atinja, diretamente a inteligência. Nada tem de mistérios, e seus iniciados não possuem nenhum segredo que seja oculto ao povo.
Seria necessária, então, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, pois vêem-se homens de notória capacidade, que não a compreendem, enquanto inteligências vulgares, até mesmo de jovens que mal saíram da adolescência, apreendem com admirável justeza as suas mais delicadas nuances. Isso acontece porque a parte, de qualquer maneira, material da ciência, não requer mais do que os olhos para ser observada, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, que podemos chamar de maturidade do senso moral, maturidade essa independente da idade e o grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, num sentido especial, do espírito encarnado.
Em algumas pessoas, os laços materiais são ainda muito fortes, para que o espírito se desprenda das coisas terrenas. O nevoeiro que as envolve impede-lhes a visão do infinito. Eis por que não conseguem romper facilmente com os seus gostos e os seus hábitos, não compreendendo que possa haver nada melhor do que aquilo que possuem. A crença nos Espíritos é para elas um simples fato, que não modifica pouco ou nada as suas tendências instintivas. Numa palavra, não vêem mais do que um raio de luz, insuficiente para orientá-las e dar-lhes uma aspiração profunda, capaz de modificar-lhes as tendências. Apegam-se mais aos fenómenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente as iniciem em novos mistérios, sem indagarem se tornaram dignas de penetrar os segredos do Criador. São, afinal, os espíritas imperfeitos, alguns dos quais estacionam no caminho ou se distanciam dos seus irmãos de crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou porque preferem a companhia dos que participam das suas fraquezas ou das suas prevenções. Não obstante, a simples aceitação da doutrina em princípio é um primeiro passo, que lhes facilitará o segundo, numa outra existência.
Aquele que podemos,com razão, qualificar de verdadeiro e sincero espírita, encontra-se num grau superior de adiantamento moral. O Espírito já domina mais completamente a matéria e lhe dá uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina fazem vibrar-lhe as fibras, que nos outros permanecem mudas; numa palavra: foi tocado no coração, e por isso a sua fé é inabalável. Um é como o músico que se comove com os acordes; o outro, apenas ouve os sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações. Enquanto um se compraz no seu horizonte limitado, o outro, que compreende a existência de alguma
coisa melhor, esforça-se para se libertar, e sempre o consegue, quando dispõe de uma vontade firme." E. S. E. Cap.XVII, Item 4


Tendo em vista que o ideal não é que o Espiritismo entre dentro de nós...mas, que possa sair de nós, em gestos e palavras.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A influência das Crenças no Pensamento (3 de outubro)

"Numerosos filósofos hão compreendido as teses e conclusões do Espiritismo no seu aspeto filosófico,  científico e religioso; todavia,  para a iluminação do íntimo, só tende no mundo o Evangelho do Senhor, que nenhum roteiro doutrinário poderá ultrapassar. Aliás,  o Espiritismo em seus  valores cristãos não possui finalidade  maior que  a de restaurar a verdade evangélica para  os corações desesperados e  descrentes do mundo. Teorias e fenómenos inexplicáveis sempre houve no mundo. Os escritores e os cientistas doutrinários poderão movimentar seus conhecimentos na construção de novos enunciados para as filosofias terrestres, mas a obra definitiva do Espiritismo  é a da edificação da consciência profunda no Evangelho de Jesus Cristo.(...) Só o trabalho de  auto-evangelização,  porém, é firme e imperecível. Só o esforço individual no Evangelho de  Jesus pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito, porquanto, depois de  vossa edificação com o exemplo do Mestre, alcançareis aquela verdade que vos fará livre."  Questão n 219 do Livro "O consolador" de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier

"No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé pode ser racionada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo.
Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão.
" E. S. E. Cap. XIX, item 6

"Q. 220 –Há alguma  diferença entre a crença e a iluminação?
-Todos os homens da Terra, ainda os próprios materialistas, crêem em alguma coisa. Todavia, são muito poucos os  que se iluminam. O que crê, apenas admite; mas o que se ilumina vibra e sente. O primeiro depende dos elementos externos, nos quais coloca o objeto a sua crença; o segundo é livre das influências exteriores, porque há bastante luz no seu próprio íntimo, de modo a vencer corajosamente nas provações a que foi conduzido no mundo. É por essa razão que os espiritistas sinceros devem compreender que não basta acreditar no fenómeno ou na veracidade da comunicação com o Além, para que os seus sagrados deveres estejam  totalmente cumpridos, pois a obrigação primordial é o esforço, o amor ao trabalho,  a serenidade nas provas da vida, o sacrifício de si mesmo, de modo a entender plenamente  a exemplificação de Jesus-Cristo, buscando a sua luz divina para a execução de todos os  trabalhos que lhes competem no mundo.  "Livro " O consolador" de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier

"A fé raciocinada, que se apoia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é
inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade." E. S. E. Cap. XIX, item 7




terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sofrimento Fermento da Vida (26 de setembro)



"As vicissitudes da vida são de duas espécies, ou, se quisermos, tem duas origens bem diversas, que importa distinguir: umas têm sua causa na vida presente; fora desta vida."
E. S. E. Cap. V, item 4

"O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande soma, a quem o credor dissesse: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte, darei quitação do resto e ficarás livre; se não, vou perseguir-te até que pagues o último centavo”. O devedor não ficaria feliz de submeter-se a todas as privações, para se livrar da dívida, pagando somente a centésima parte da mesma? Em vez de queixar-se do credor, não lhe agradeceria?"
E. S. E. Cap. V, item 12

 "A vida na Terra se assemelha a um estágio em magnífica escola.
A reencarnação é abençoada oportunidade de crescimento espiritual.
Somos, porém, aprendizes rebeldes e incipientes.
Malbaratamos o tempo.
Desprezamos a lição.
Olvidamos os compromissos.
Quando sofremos, recorremos a Deus, ensaiando humildade.
Quando felizes, nem sequer nos lembramos de agradecer ao Dispensador de todas as graças.
É que em contato com a matéria densa, o espírito deixa-se hipnotizar pelos cânticos da ilusão. O imediatismo predomina em suas decisões.
Para o homem comum, importa viver o "agora" com intensidade. Falta-lhe, portanto, senso de eternidade.
Por isso, justamente, a dor se faz companheira constante em nossos caminhos... Ela nos recorda a fugacidade da vida física e nos reconduz à senda do bem.
Ai do homem, se não sofresse!...
Mas Deus não quer o sofrimento voluntário, aquele abismo em que muitos se precipitam para fugir à dor que nos aprimora interiormente. O sofrimento natural é uma luz mas, provocado, qual o suicídio,
é uma infelicidade que a palavra não define. Procuremos na caridade o nosso cajado para a subida do monte escarpado da evolução.
Amemos os nossos semelhantes.
Esforcemo-nos para perdoar as ofensas, sem guardar ressentimento no coração.
Não percamos de vista os passos do Senhor, que transitou no mundo entre zombarias e sarcasmos.
Façamos da oração o nosso pão espiritual, cujo fermento divino é a fé que raciocina.
Tenhamos sempre uma palavra de otimismo e um sorriso de esperança para oferecer aos que nos buscam a presença.
Visitemos os doentes nos hospitais, porquanto somos espíritos enfermos, necessitados também da visitação diária do Divino Médico.
Não nos queixemos de sacrifício; antes agradeçamos a Jesus que nos aceita como somos em seu ministério santo entre os homens.
Aprendamos a silenciar as nossas mágoas. A lamentação improdutiva é peso na própria alma, impedindo-nos de seguir à frente.
Que Deus seja sempre louvado em todas as providências que toma para que nós, os seus filhos, possamos viver segundo a sua Vontade.
Restaurando o Evangelho, o Espiritismo aplicado em nossas vidas é o sol que nos ilumina, desfazendo as sombras que, há séculos, pairam sobre o nosso entendimento.
Irmãos, deixo-lhes aqui o meu afetuoso abraço, na certeza de que a morte não existe e que o Senhor vela por cada um de nós."
(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, em sessão pública do Centro Espírita "Amor ao Próximo", em Leopoldina, MG, na noite de 28-6-50.)

 "Aquele que se coloca no ponto de vista da vida espiritual, abrange na sua visão a vida corpórea, como um ponto no infinito, compreendendo a sua brevidade, sabendo que esse momento penoso passa bem depressa. A certeza de um futuro próximo e mais feliz o sustenta encoraja, e em vez de lamentar-se, ele agradece ao céu as dores que o fazem avançar."
E. S. E.Cap. V, item 13