terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ninguém perde aqueles que ama (19 de setembro)

Saber que nunca perdemos aqueles que amamos é uma das consolações, talvez a maior, que o Espiritismo nos traz.

Aqui partilhamos esta história, trazida por Chico Xavier e um excerto do Evangelho Segundo o Espiritismo.

"SaberTransformando Saudade em Caridade 

Hoje, em Uberaba, dia 13 de novembro de 1982, no culto evangélico ao ar livre no Abacateiro, junto a Chico Xavier, presenciamos um fato sublime e de grande significado. Uma família de São Paulo comemorava os 23 anos do jovem Roberto Muszkat, domiciliado presentemente no mundo espiritual. Liderados por seus pais, dona Sônia e dr. David, seus irmãos entoavam em prece muda o tradicional “parabéns para você. Sobre a mesa, um bolo de 40 quilos todo enfeitado, com palavras em glacê, saudando as crianças “convidadas” da Mata do Carrinho. Bolas coloridas e bonecas, balas e cadernos completavam a festa sui generis. Logo adiante, alguns amigos ainda distribuíam, em forma de brindes, o arroz, o feijão, o macarrão, a rosca salpicada de açúcar e muito carinho. Roberto era, ou diríamos melhor, é o filho mais velho de um casal unido e feliz. 
A desencarnação chegou bruscamente, roubando a sua presença física da convivência familiar. Foi como se aquele castelo enternecido de amor e paz desmoronasse. Sua mãe desesperada entregou-se às lágrimas; seu pai trancou-se em si mesmo, ocultando o pranto no trabalho; seus irmãos sentiram um estranho vazio, afinal como não mais ouvir a risada de Roberto? E assim o tempo corria célere. Mas a Misericórdia Divina não desampara ninguém. Dona Sônia, a mãe de Roberto, manifesta o desejo de vir a Uberaba conhecer o médium Chico Xavier. Quem sabe uma mensagem do filho querido fosse possível? Assim foi feito. Em contato com Chico, em uma das reuniões do Grupo Espírita da Prece, eis que Roberto transmite a sua primeira mensagem: “Mãezinha, papai, irmãos queridos, estou vivo!...”. 
Alegria, esperança, felicidade! Na mensagem, ele se refere a fatos impressionantes, apenas do conhecimento da família. De lá para cá, Roberto tem se manifestado com a regularidade possível. Depois de algum tempo, seu pai, o dr. David, também se faz presente em Uberaba. Lembro-me do que lhe disse Chico: Roberto me pede para falar com o senhor que quando Deus pediu o filho a Abraão, Ele não queria o filho; Ele queria Abraão... Ainda há poucos minutos atrás (escrevo estas linhas da mesa do Grupo Espírita da Prece, enquanto Chico psicografa uma mensagem belíssima de Maria Dolores), conversando com dona Sónia ela nos dizia: “Deus me levou um filho, mas aumentou a minha família”. E contou também que estiveram a tarde no Lar da Caridade, ex-Hospital do Pênfigo de Uberaba, fazendo a mesma distribuição comemorativa dos 23 anos de Roberto para mais de trezentas crianças. Estamos narrando tudo isso para que os irmãos sintam como a doutrina espírita modifica completamente a nossa concepção de vida. 
Quantos pais, ao invés de tornarem úteis as lembranças e as saudades dos filhos que partiram, debruçam-se sobre os túmulos vazios, entregando-se a lamentações improdutivas e até mesmo prejudiciais? Quantos, desesperados, dopam-se para anestesiar a dor da separação? E para nossa surpresa, eis que Roberto escreve uma vez mais do Além, agradecendo aos seus pais e aos seus irmãos pela festa de aniversario que lhe 64 proporcionaram junto aos mais carentes! Ele faz questão de explicar que não se comunicava para retribuir a festa, mas para confortar os familiares queridos que ainda sofriam pela separação. Agradece aos seus irmãos por terem “mexido” na poupança para a compra dos brinquedos repartidos com as crianças. 
Como os pais de Roberto Muszkat, muitos outros, que têm sido agraciados pelo mundo espiritual por comunicações de seus filhos desencarnados, promovem fartas distribuições quando comemoram na Terra o que seria mais um ano de vida daqueles que, atendendo à Divina Lei, demandaram outros páramos. São muitos já os componentes da Nave da Saudade, nome do grupo espírita fundado pelo amigo sr. Renê Strang, de Ribeirão Preto, que igualmente viu o filho querido, Renezinho, partir para o Além ainda muito jovem. Os componentes da Nave da Saudade estão em toda a parte, por que quem não terá um ente amado do outro lado da vida? Mas os que a Doutrina Espírita libertou não usam luto, não perdem a vontade de prosseguir vivendo, não se preocupam com custosos mausoléus, não estacionam, anos e anos, à frente de fotografias, indagando por que. 
O espiritismo nos auxilia a transformar a saudade em trabalho, a lágrima em prece, a solidão em amor aos tristes da estrada. Imaginemos o que não terá experimentado o espírito Roberto, do Alto, tendo como convidados para a sua festa de aniversário os coxos e os estropiados! Realmente, nenhuma festa do mundo pode ser comparada a esses momentos indescritíveis, quando, como nos fala o Evangelho, representando a Divindade, levamos o pão e o consolo aos lares que enfrentam provações diferentes das nossas. Parabéns, Roberto, nesta data querida, muitas felicidades, a eternidade lhe pertence! Obrigado, Chico."
(CAB, Chico e Roberto, o Aniversariante do Além, (dezembro de 1982) 

"Ah! essa dor se concebe entre os que não tem fé, e que vêem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós; sim, eles estão bem perto: seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.
Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor."
ESE, cap.V - Perda de Pessoas Amadas e Mortes Permaturas
A Saudade permanece, mas será sempre um até já, pois os laços de amor duram além da vida física, acompanham o nosso Espírito imortal e fortalecem-se ao longo de várias jornadas

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Prevenção ao Suicídio (12 de setembro)


No Livro dos Espíritos podemos encontrar os esclarecimentos que se seguem e nas dificuldades da vida podemos encontrar verdadeiras oportunidades de crescimento.
Que não nos falte a força e a coragem…que não nos falte a Fé, para lutar pela VIDA!

Q. n° 943. Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?
“Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade.” “Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera.”

 Q. n° 944. Tem o homem o direito de dispor da sua vida?
“Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.”. Livro dos Espíritos

Q. n° 5. Então, não há esperança de recuperação para o suicida?
R: Claro que há – total! Deus é Amor e Ele outorga a todas as Criaturas a maior expressão da Sua Bondade Infinita: a possibilidade de os Seres evoluírem sempre, incessantemente; permite que as existências se sucedam ofertando as oportunidades infinitas de reajuste e reforma; e isso é possível através do mais efetivo veiculo da Lei de Evolução: a reencarnação.

“Portanto, os familiares do suicida de ontem ou de hoje não se exasperem, ao contrário, mantenham viva a esperança de que é possível a remissão das faltas e que o Pai de Misericórdia propiciará os meios de fazer com que o próprio autor do ato extremo se reconheça Espírito Eterno e indestrutível, e que a calma, a resignação e a fé serão os mais seguros preservativos contra as ideias autodestrutivas. Não será demais que se lhes repita: Deus é Bondade Infinita e, portanto, não permite que Suas Criaturas sofram indefinidamente e que esse sofrimento poderá ser abreviado mais rapidamente mercê de orações sinceras e cheias de amor de todos quantos querem que se restabeleça o Bem."
 Revista Espiritismo e Ciência n° 11, páginas 06-08

"A calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio. Com efeito, a maior parte dos casos de loucura são provocados pelas vicissitudes que o homem não tem forças de suportar. Se, portanto, graças à maneira por que o Espiritismo o faz encarar as coisas mundanas, ele recebe com indiferença, e até mesmo com alegria, os revezes e as deceções que em outras circunstâncias o levariam ao desespero, é evidente que essa força, que o eleva acima dos acontecimentos, preserva a sua razão dos abalos que o poderiam perturbar."
E. S. E. Cap. V, item 14

Que setembro seja o mês que assinala o começo de uma difícil luta, mas que em todos os dias do ano sejamos atentos, solidários, ativos, ao lado daqueles que se sentem tentados a faze-lo.
Todos juntos pela VIDA


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Onde mora a Caridade (5 de setembro)



"Amarás a teu próximo como a ti mesmo”, significando que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar ao próximo, nem amar ao próximo sem amar a Deus, porque tudo quanto se faz contra o próximo, é contra Deus que se faz. Não se podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos nesta máxima: Fora da caridade não há salvação."
E.S.E. Cap. XV, item 5
                                                                                                                                                         
Caridade
"Caridade é, sobretudo, amizade.
Para o faminto - é o prato de sopa.
Para o triste - é a palavra consoladora.
Para o mau - é a paciência com que nos compete auxiliá-lo
Para o desesperado - é o auxílio do coração.
Para o ignorante - é o ensino despretensioso.
Para o ingrato - é o esquecimento.
Para o enfermo - é a visita pessoal.
Para o estudante - é o concurso no aprendizado.
Para a criança - é a proteção construtiva.
Para o velho - é o braço irmão.
Para o inimigo - é o silêncio.
Para o amigo - é o estímulo.
Para o transviado - é o entendimento.
Para o orgulhoso - é a humildade.
Para o colérico - é a calma.
Para o preguiçoso - é o trabalho.
Para o impulsivo - é a serenidade.
Para o leviano - é a tolerância.
Para o deserdado da Terra - é a expressão de carinho.

Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente. É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre
justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, por que, onde estiver o Espírito do Senhor aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro."
Da obra"Viajor" de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier

"Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até a ponto de transportar montanhas, e não tiver caridade, não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em o sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita. A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca jamais há-de acabar, ou deixem de ter lugar às profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a ciência."
Caridade segundo São Paulo,  E. S. E. Cap. XV, item6



terça-feira, 22 de agosto de 2017

Benefícios da Indulgência (22 de agosto)

"Espíritas, queremos hoje vos falar da indulgência, esse sentimento tão doce, tão fraternal,que todo
homem deve ter para com os seus irmãos, mas que tão poucos praticam. A indulgência não vê os defeitos alheios, e se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma desculpa à mão para os disfarçar, mas
uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia. 
A indulgência jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para
prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados."
E.S.E.Cap. X, item 16

"A indulgência sacia a sede de compreensão e acalma o coração por vezes atormentado pela culpa. Ela atrai quem mais necessita de amparo e compreensão. E especialmente ergue em direção ao refazimento do caminho, à reparação dos erros praticados. O esforço em ver o próximo de forma positiva torna mais fácil gostar dele e estabelecer vínculos de genuína fraternidade, na medida em que ninguém almeja ser amigo de réprobos, mas, sim, de criaturas dignas. Pode-se concluir que a indulgência, além de se inserir no âmbito maior da salvação do Espírito, rumo ao seu angelical destino, também possui o condão de salvar os relacionamentos humanos, ao conduzi-los a um patamar saudável de auxílio e amparo mútuos. Ela salva o coração do homem da indiferença e da severidade.
A indulgência, como componente da caridade, não é só a meta (a libertação final, fruto da vivência perfeita), mas também o caminho, ao viabilizar a fraternidade entre seres ainda imperfeitos, mas que sonham com a perfeição e precisam se auxiliar em sua caminhada."
             Jornal Mundo Espírita do Paraná, de Janeiro/2011 artigo escrito Por Dineude Paula

"Q.886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

      - Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas."
Livro dos Espíritos

"Espiritismo, doutrina consoladora e bendita, felizes os que te conhecem e empregam proveitosamente os salutares ensinos dos Espíritos do Senhor! Para esses, o ensino é claro, e ao longo de todo o caminho eles podem ler estas palavras, que lhes indicam a maneira de atingir o alvo: caridade prática, caridade para o próximo como para si mesmo. Em uma palavra, caridade para com todos e amor de Deus sobre todas as coisas, porque o amor de Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele faz uma lei para todas as criaturas."
E.S.E. Cap. X, item 18

Infelizmente muitos não conhecem o significado do termo indulgência e pior ainda pouco é colocado em prática. A indulgência vem como progresso da nossa alma, qualidade difícil de trabalhar, mas que muito enobrece a alma humana.
Sem que nos apercebamos entre as nossas limitações e as limitações daqueles que caminham connosco, ligamo-nos à Rádio Umbral, curioso é que a nossa boca procura harmonia, meditação, retiros muito na moda, mas a nossa prática...essa leva-nos a outros caminhos.
Aqui vale um dos grandes ensinamentos do Mestre Jesus "Vigiai e Orai", a nós mesmos, claro!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Arte de Envelhecer (8 de agosto)

"A velhice é inevitável fenómeno biológico de desgaste que atinge todos os seres vivos. Resulta do esforço mantido pelos equipamentos orgânicos, a fim de preservarem a sua funcionalidade. A Terceira idade, conforme se convenciona chamar hodiernamente a velhice, deve representar sabedoria, riqueza decorrente das experiências, período próprio para o repouso. (...) O medo da velhice é muito cruel, tornando-se um verdadeiro tormento para quantos não consideram a existência física na condição de uma jornada de breve duração, por mais longa se apresente, passando por estágios bem delineados desde o berço até o túmulo. Desequipados quanto à realidade - consumo de energias que propicia o envelhecimento. Celular e por decorrência os fenómenos biológicos que lhe são correspondentes - afadigam-se na busca de métodos rejuvenescedores, de grupos especiais, nos quais seja possível repetir-se a ilusão da mocidade, desarmonizando-se interiormente e tombando em evitáveis transtornos psicológicos que se transformam em depressões e angústias profundas. Ninguém pode reverter o quadro das ocorrências existenciais; no entanto, é perfeitamente normal compreendê-las, adicionando-lhes os agradáveis condimentos do prazer e da alegria de viver. A velhice deve ser considerada inevitável e ditosa pelo que encerra de gratificante, após as lutas cansativas das buscas e das realizações. E o resultado de como cada qual se comportou, de como foi construída pelos pensamentos e atitudes, ou enriquecida de luzes e painéis com recordações ditosas ou infelizes...
         Atravessar a existência - qual ocorre com aquele que vence as estradas ou águas de um rio - sempre conduzindo com segurança o veículo de que se utiliza, é processo de realização existencial, que produz resultados compativeis com a maneira de enfrentar o percurso na direção do objetivo.
       (...) Eis que, preservando-se o pensamento ativo, tem-se oportunidade de manter-se útil, contribuindo positivamente em favor dos grupos familial e social. (...) Não será pelo vigor dos bíceps que se pode medir a força de um indivíduo; porém, pela sua capacidade de administrar a existência, de enfrentar dificuldades, de resolver desafios, de lutar e vencer estâncias controvertidas. Há o vigor para ensinar, para ajudar com a experiência, para nutrir de sabedoria, para conduzir o pensamento e não apenas para carregar pesos e exibir musculatura, conseguida às vezes com a ação de exercícios físicos sob anabolizantes... Homens e mulheres em provecta idade prosseguem trabalhando e realizando obras memoráveis.
      (...) Não se trata, portanto, de uma resultante da idade, mas da disposição interior de viver e de participar dos desafios humanos. (...) A medida que o indivíduo se mantém ágil, exercitando a capacidade de pensar, superando a pecha de que na velhice mais nada se aprende, maior se lhe torna o desempenho intelectual, facultando-lhe, não somente a preservação do patrimônio conquistado, como a aquisição de novos valores. A responsabilidade desempenha papel preponderante nessa fase, em razão do respeito pelos direitos alheios e confiança que neles se deposita, tornando os idosos verdadeiros exemplos para as gerações novas. O prazer não significa somente aquilo que agrada em determinado período da existência física, mas tudo quanto proporciona alegria, bem-estar, felicidade, emulação para o crescimento interior, conforto, paz...
      (...) Provavelmente, a superação das paixões, dos apetites sensoriais, das rivalidades infantis, das ambições desordenadas, leve o indivíduo a buscar silêncio e oportunidade para viver consigo mesmo, já que não teve tempo antes para fazê-lo, assim experimentando um incomparável prazer estético e espiritual.
(...) Temer a velhice constitui um injustificável comportamento, que deve ser superado mediante reflexões em torno do dia-a-dia, considerando-se que, adormecer, é uma forma de morrer, que enfermidade não é patrimônio da idade, assim como o deperecimento de forças e a falta de prazeres exaustivos não constituem recursos interditados apenas aos idosos. A vida física tem um significado extraordinário, que é o de enriquecimento interior, preparação para a imortalidade, conquista de patamares mais elevados para o pensamento e para o sentimento no rumo da plenitude. Viver integralmente cada momento existencial, desenhando o próximo com atividades renovadoras e espírito de combate, experienciando alegria e paz em todos os instantes, sem consciência de culpa pelas ações infelizes, que podem ser reparadas, nem tormento de pecado, que se transforma em conquista emocional dignificadora após harmonizar-se e agir corretamente, é o delineamento sábio e saudável que todos devem empreender em favor de si mesmos e da sociedade. O homem, que se autodescobre, não mais permanece na indecisão, cultivando pensamentos perturbadores em atitude masoquista, mas empreende a marcha pela busca da sua autorealização e da sua total harmonia íntima.
Envelhecer é uma arte e uma ciência, que devem ser tomadas a sério, exercitando-as a cada instante, pois que, todo momento que passa conduz à senectude, caso não advenha a morte, que é a cessação dos fenômenos biológicos."

 Livro "O Despertar Do Espírito" de Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Sem Culpas nem Remorsos… Qual o caminho? (1 de agosto)

"Duas são as causas psicológicas da culpa: a que procede da sombra escura do passado, da consciência que se sente responsável por males que haja praticado em relação a outrem e a que tem sua origem na infância, como decorrência da educação que é ministrada.
A culpa é resultado da raiva que alguém sente contra si mesmo, voltada para dentro, em forma de sensação de algo que foi feito erradamente. Este procedimento preexiste à vida física, porque originário, na sua primeira proposta, como gravame cometido contra o próximo, que gerou conflito de consciência.
Quando a ação foi desencadeada, a raiva, o ódio ou o desejo de vingança, ou mesmo a inconsequência moral, não se permitiram avaliação do desatino, atendendo ao impulso nascido na mesquinhez ou no primarismo pessoal. Lentamente, porém, o remorso gerou o fenómeno de identificação do erro, mas não se fez acompanhar de coragem para a conveniente reparação, transferindo para os arquivos do Espírito o conflito em forma de culpa, que ressuma facilmente ante o desencadear de qualquer ocorrência produzida pela associação de ideias condutora da lembrança inconsciente. Quando isto ocorre, o indivíduo experimenta insopitável angústia, e procura recurso de autopunição como mecanismo libertador para a consciência responsável pelo delito que ninguém conhece, mas se lhe encontra ínsito no mapa das realizações pessoais, portanto, intransferível.
Apresenta-se como uma forte impregnação emocional, em forma de representações ou ideias (lembranças inconscientes), parcial ou totalmente reprimidas, que ressurgem no comportamento, nos sonhos, com fortes tintas de conflito psicológico.
Na segunda hipótese, a má formação educacional, especialmente quando impede a criança de desenvolver a identidade, conspira para a instalação da culpa.
Normalmente exige-se que o educando seja parcial e adulador, concordando com as ideias dos adultos – pais e educadores – que estabelecem os parâmetros da sua conduta, sem terem em vista a sua espontaneidade, a sua liberdade de pensamento, a sua visão da existência humana em desenvolvimento e formação.
É de lamentar-se que as crianças sejam manipuladas por genitores e professores, quando frustrados, que lhes transmitem a própria insegurança, insculpindo-lhes comportamentos que a si mesmos se agradam em detrimento do que é de melhor para o aprendiz.
Precipita-se-lhe a fase do desenvolvimento adulto com expressões pieguistas, nas quais se afirmam: “já é uma mocinha”, “trata-se de um rapazinho”, inculcando-lhes condutas extravagantes, sem que deixem de ser realmente crianças.
A vida infantil é relevante na formação da personalidade, na construção da consciência do Si, na definição dos rumos existenciais.
A conduta dos adultos grava no educando a forma de ser ou de parecer, de conviver ou de agradar, de conquistar ou de utilizar-se, dando surgimento, quase sempre, quando não correta, a inúmeros conflitos, a diversas culpas.
Constrangida a ocultar a sua realidade, a fim de não ser punida, sentindo-se obrigada a agradar os seus orientadores, a criança compõe um quadro de aparência como forma de conveniência, frustrando-se profundamente e perturbando o caráter moral que perde as diretrizes de dignidade, os referenciais do que é certo e do que é errado.
Essa má-educação é imposta para que os educandos sejam bons meninos e boas meninas, o que equivale dizer, que atendam sempre aos interesses dos adultos, não os contrariando, não os desobedecendo. Bem poucas vezes se pensa no bem estar da criança, no que lhe apraz, naquilo que lhe é compatível com o entendimento.
Vezes outras, como forma escapista da própria consciência os pais cumulam os filhos com brinquedos e jogos, em atitude igualmente infantil de suborno emocional, a fim de os distrair, em realidade, no entanto, para fugirem ao dever da sua companhia, dos diálogos indispensáveis, da convivência educativa mais pelos atos do que pelas palavras.
Apesar de se pretender tornar independente o educando, invariavelmente ele cresce co-dependente, isto é, sem liberdade de ação, de satisfação, culpando-se toda vez que se permite o prazer pessoal fora dos padrões estabelecidos e das imposições programadas.
Para poupar-se a problemas, perde a capacidade de dizer não, a espontaneidade de ser coerente com o que pensa, com o que sente, com o que deseja.
Não poucas vezes, a criança é punida quando se opõe, quando externa o seu pensamento, quando se nega, alterando a maneira de ser, a fim e evitar-se os sofrimentos.
Há uma necessidade psicológica de se negar, de se dizer não, sempre que se faça próprio, sem a utilização de métodos escapistas que induzem à pusilanimidade, à incoerência de natureza moral.
Não se pode concordar com tudo, e, desse facto, omitir-se de dizer o que se pensa, de se negar, de se ser autêntico. Certamente a maneira de expressar a opinião é que se torna relevante, evitando-se a agressividade na resposta negativa, a prepotência na maneira de traduzir o pensamento oposto. Torna-se expressivo, de certo modo, não exatamente o que se diz, mas a maneira como se enuncia a informação.
Esse hábito, porém, deve ser iniciado na infância, embutindo-se no comportamento do educando a coragem de ser honesto, mesmo que a preço de algum ônus.
Essa insegurança na forma de proceder e a dubiedade de conduta, a que agrada aos outros e aquela que a si mesmo satisfaz, quase sempre desencadeiam processos sutis de culpa, que passam a zurzir o indivíduo na maioria das vezes em que é convidado a definir rumos de comportamento.
A culpa pode apresentar-se a partir do momento em que se deseja viver a independência, como se isso constituísse uma traição, um desrespeito àqueles que contribuíram para o desenvolvimento da existência, que deram orientação, que se esforçaram pela educação recebida. Entretanto, merece considerar que, se o esforço foi realizado com o objetivo de dar felicidade, a mesma começa a partir do instante em que o indivíduo se afirma como criatura, em que tem capacidade para decidir, para realizar, para se fazer independente.
 Os adultos imaturos, no entanto, diante desse comportamento cobram o pagamento pelo que fizeram, dizendo-se abandonados, queixando-se de ingratidão, provocando sentimentos injustificáveis de culpa, conduta essa manipuladora e infeliz.
Esse método abusivo é normalmente imposto à infância, propiciando que a culpa se instale, quando a criança se dá conta de que pensa diferente dos seus pais, exigindo desses educadores sabedoria para poderem diluí-la e apoiarem o que seja correto, modificando o que não esteja compatível com a educação.
A culpa é algoz persistente e perigoso, que merece orientação psicológica urgente.

Processos de Libertação da Culpa

Há uma culpa saudável que deve acompanhar os atos humanos quando os mesmos não correspondem aos padrões do equilíbrio e da ética. Esse sentimento, porém, deve ser encarado como um sentido de responsabilidade.
Sem ela, perder-se-ia o controle da situação, permitindo que os indivíduos agissem irresponsavelmente.
Todas as criaturas cometem erros, alguns de natureza grave. No entanto, não tem por que desanimar na luta ou abandonar os compromissos de elevação moral.
O antídoto para a culpa é o perdão. Esse perdão poderá ser direcionado a si mesmo, a quem foi a vítima, à comunidade, à Natureza.
Desde que a paz e a culpa não podem conviver juntas, porque uma elimina a presença da outra, torna-se necessário o exercício da compreensão da própria fraqueza, para que possa a criatura libertar-se da dolorosa injunção.
A coragem de pedir perdão e a capacidade de perdoar são dois mecanismos terapêuticos liberadores da culpa.
Consciente do erro, torna-se exequível que se busque uma forma de reparação, e nenhuma é mais eficiente do que a de auxiliar aquele a quem se ofendeu ou prejudicou, ensejando-lhe a recomposição do que foi danificado.
Tratando-se de culpa que remanesce no inconsciente, procedente de existência passada, a mudança de atitude em relação à vida e aos relacionamentos, ensejando-se trabalho de edificação, torna-se o mais produtivo recurso propiciador do equilíbrio e libertador da carga conflitiva.
Ignorando-se-lhe a procedência, não se lhe impede a presença em forma de angústia, de insegurança, de insatisfação, de ausência de merecimento a respeito de tudo de bom e de útil quanto sucede... Assim mesmo, o esforço em favor da solidariedade e da compaixão, elabora mecanismos de diluição do processo afligente.
É comum que o sentimento de vergonha se instale no período infantil, quando ainda não se tem ideia de responsabilidade de deveres, mas se sabe o que é correto ou não para praticar. Não resistindo ao impulso agressivo ou à ação ilegítima, logo advém a vergonha pelo que foi feito, empurrando para fugas psicológicas automáticas que irão repercutir na idade adulta, embora ignorando-se a razão, o porquê.
A culpa tem a ver com o que foi feito de errado, enquanto que o sentimento de vergonha denota a consciência da irresponsabilidade, o conhecimento da ação negativa que foi praticada.
Somente a decisão de permitir-se herança perturbadora, que remanesce do período infantil, superando-a, torna possível a conquista do equilíbrio, da auto-segurança, da paz.
A saúde mental e comportamental impõe a libertação da culpa, utilizando-se do contributo valioso do discernimento que avalia a qualidade das ações e permite as reparações quando equivocadas e o prosseguimento delas quando acertadas."
“Conflitos Existenciais”, Divaldo Franco pelo esp. Joanna de Angelis

Na Explanação desta terça-feira. dia 1 de agosto, procuraremos explorar mais a segunda hipotese aqui tão bem apresentada pela Veneranda Joanna de Angelis, procurando trazer não apenas as culpas que nos vem da educação familiar mas de toda a estrutura social. Procurando compreender qual o nosso papel e o que é necessário mudar num perspetiva construtivista.

“Crede que estas sábias palavras: “Amai muito, para serdes amados”, seguirão os seus cursos. Esta máxima é revolucionária e segue uma rota firme e invariável. Mas vós já haveis progredido, vós que me escutais: sois infinitamente melhores do que há cem anos; de tal maneira vos modificastes para melhor, que aceitais hoje sem repulsa uma infinidade de ideias novas sobre a liberdade e a fraternidade, que antigamente teríeis rejeitado. Pois daqui a cem anos aceitará também, com a mesma facilidade, aquelas que ainda não puderam entrar na vossa cabeça.(...) E como tudo se encadeia, sob as ordens do Altíssimo, todas as lições recebidas e assimiladas resultarão nessa mudança universal do amor ao próximo. (...) Todos se reunirão, para entender-se e amar-se, destruindo todas as injustiças..."

ESE, Cap. XI, item 10

quinta-feira, 27 de julho de 2017