segunda-feira, 15 de outubro de 2018

As Leis Morais - Parte I (16 de outubro)





LEIS MORAIS DA VIDA
"São de todos os tempos as leis morais da vida, estabelecidas pelo Supremo Pai. Invioláveis, constituem o roteiro de felicidade pelo rumo evolutivo, impondo-se, paulatinamente, à inteligência humana achando-se estabelecidas nas bases da harmonia perfeita em que se equilibra a Criação. Reveladas através dos tempos, a pouco e pouco, não se submetem às injunções transitórias das paixões humanas, que sempre desejaram padroniza-las ao próprio talante, submetendo-as às suas torpes determinações.
Inspiradas à humanidade pelas forças vivas da Natureza desde os dias do ‘homem primitivo, passaram a constituir a ética religiosa superior de todos os povos e de todas as nações.
Leis naturais de amor, justiça e equidade, são o fiel da conquista do espírito que, na preservação dos seus códigos sublimes e na vivência da sua legislação, haure o próprio engrandecimento e plenitude.
O desacato, a desobediência aos seus códigos engendram o sofrimento e o desalinho do infrator, que de forma alguma consegue fugir ao reajuste produzido pela rebeldia ou insânia de que se faz portador.
Profetas, legisladores e sábios têm sido os maleáveis instrumentos de que se utilizou o Pai Amantíssimo através dos tempos, a fim de que o homem, no ergástulo carnal, pudesse encontrar a rota segura para atingir o reino venturoso que o espera.
Dentre todos, porém, foi Jesus o protótipo da misericórdia divina, “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”, o próprio Rei Solar.
Vivendo em toda a pujança o estatuto das “leis morais”, deu cumprimento às de ordem humana, submetendo-se, pacificamente, instaurando o período fundamentado na de amor, que resume todas as demais e as comanda com inexcedível mestria.
Modelo a ser seguido, ensinou pelo exemplo e pelo sacrifício, selando em testemunho supremo a excelência do seu messianato amoroso, através da doação da vida, incitando-nos a incorporar ao dia-a-dia da existência a irrecusável lição do seu auto-ofertório santificante. (...)
Dividimos o nosso estudo nas onze leis morais, conforme a classificação kardequiana, utilizando-nos de variado assunto para a meditação e a renovação íntima daqueles que se interessam pela Doutrina Espírita, ou que no báratro destes dias de inquietação padecem a sede de Deus, requerem ao Alto respostas imediatas às interrogações afligentes, pedem orientações.
O homem viaja com os seus formidáveis bólides espaciais fora ‘da órbita da Terra, e, todavia, não se conhece a si mesmo. Descobre o mundo que o fascina e não se penetra das responsabilidades morais que lhe cabem.
Altera a face do planeta que habita e pretende modificar as “leis morais” que regem o Universo, mergulhando, então, em profunda amargura.
Apresenta conceitos valiosos e conceções de audaciosa matemática, desvendando as leis da gravitação, da aglutinação das moléculas, da estrutura genética dos seres e, todavia, impõe absurdas
determinações no campo moral, legalizando o aborto, ressuscitando a pena de morte, programando a família mediante processos escusos, precipitados, advogando a dissolução dos vínculos matrimoniais estimulado por terrível licenciosidade, fomentando a guerra...
Há dor e loucura, fome, miséria moral e social em larga escala, num atestado inequívoco do primarismo moral que vige em indivíduos e coletividades ditos civilizados.
As leis morais da vida são impostergáveis.
Ninguém as derroca; não as subestima impunemente; não as ignora, embora desejando fazê-lo. Estão insculpidas na consciência das criaturas. Mesmo o bruto sente-as em forma de impulsos ou pelo luzir da sua grandeza transcendente nos pródromos da inteligência.
Leis imutáveis, são as leis da vida." Joanna de Ângelis, Salvador 7 de maio de 1975, do Livro"LEIS MORAIS DA VIDA DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO PELO ESPÍRITO JOANA DE ÂNGELIS 

"O Cristo foi o iniciador da mais pura moral, a mais sublime: a moral evangélica, cristã, que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los fraternos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade e o amor do próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum. Uma moral, enfim, que deve transformar a Terra, fazê-la morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a natureza está sujeita, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se serve para elevar a humanidade.
São chegados os tempos em que as ideias morais devem desenvolver-se, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Elas devem seguir o mesmo roteiro que as ideias de liberdade seguiram, como suas precursoras. Mas não se pense que esse desenvolvimento se fará sem lutas. Não, porque elas necessitam, para chegar ao amadurecimento, de agitações e discussões, a fim de atraírem a atenção das massas. Uma vez despertada a atenção, a beleza e a santidade da moral tocarão os Espíritos, e eles se dedicarão a uma ciência que lhes traz a chave da vida futura e lhes abre a porta da felicidade eterna. Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá."
Revista Espírita de Março de 1861
N. do T.: Parte considerável das respostas obtidas neste questionário foi transcrita por Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo I, item 9 – Instruções dos Espíritos: A nova era.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

9 de outubro para o Epiritismo (9 de outubro)

"Esta data ficará assinalada nos anais do Espiritismo, por motivo do auto-de-fé praticado com os livros espíritas em Barcelona."
Obras Póstumas

As fogueiras da Inquisição ainda se acendem em 1861
“Hoje, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, na esplanada da cidade de Barcelona, lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber:
“A Revista Espírita, diretor Allan Kardec; “A Revista Espiritualista, diretor Piérard; “O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec;  “O Livro dos Médiuns, pelo mesmo; “O que é o Espiritismo, pelo mesmo; “Fragmentos de sonata ditada pelo Espírito Mozart; “Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo Dr.Grand; “A História de Joana d’Arc, ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufaux; “A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, pelo Barão de Guldenstubbé.

"Examinando o caso do ponto de vista de suas consequências, diremos, inicialmente, não haver dúvida de que nada poderia ter sido mais benéfico ao Espiritismo. A perseguição sempre foi proveitosa à ideia que quiseram proscrever: exalta a sua importância, chama a sua atenção e a torna conhecida por quantos a ignoravam. Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo na Espanha vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é ele; é tudo quanto desejamos. Podem queimar-se livros, mas não se queimam ideias; as chamas das fogueiras as superexicitam, em vez de abafar." 
Revista Espirita, nov 1891
“Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire…”
(Mateus V:15)
ESE, Cap. XXIV, nº 1

“Pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente.” 
(S. LUCAS, 8:16 e 17.) ESE, Cap. XXIV, nº 2
“Cada coisa tem de vir na época própria… Mas, o que a prudência manda calar, momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade.
Tendo-lhes Deus outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do céu, eles tratam de raciocinar sobre sua fé. É então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé.
ESE, Cap. XXIV, nº 4

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Perdão (2 de outubro de 2018)



"O PERDÃO (Sociedade Espírita de Paris – Médium: Sr.A. Didier)
Como se pode achar em si a força para perdoar? A sublimidade do perdão é a morte do Cristo no Gólgota! Ora, já vos disseque o Cristo tinha resumido em sua vida todas as angústias e lutas humanas.
Todos os que mereciam o nome de cristãos antes de Jesus-Cristo morreram com o perdão nos lábios: os defensores das liberdades oprimidas, os mártires das verdades e das grandes causas de tal modo compreenderam a elevação e a sublimidade de sua vida que não faliram no último instante e perdoaram. Se o perdão de Augusto não é inteiramente sublime do ponto de vista histórico, o Augusto de Corneille, o grande trágico, é senhor de si como do Universo, porque perdoa.
Ah! como são mesquinhos e miseráveisos que possuíam o mundo e não perdoavam!
Como é grande aquele que continha, no futuro dos séculos, todas as humanidades espirituais e perdoava! O perdão é uma inspiração e, muitas vezes, um conselho dos Espíritos. Infelizes os que fecham o coração a essa voz: serão punidos, como diz a Escritura, porquanto tinham ouvidos e não escutavam. Pois bem! se quereis perdoar, se vos sentis fracos perante vós mesmos, contemplai a morte do Cristo.
Aquele que se conhece a si próprio triunfa facilmente de si mesmo.
Eis por que o grande princípio da sabedoria antiga era, antes de tudo, conhecer-se a si próprio. Antes de se lançar na luta ensinava-se aos atletas, para os jogos e pelejas grandiosas, os meios seguros de vencer. Ao lado disso, nos liceus, Sócrates ensinava que havia um Ser Supremo e, algum tempo depois, séculos antes do Cristo, ensinava a toda a nação grega a morrer e perdoar. O homem vicioso, desprezível e fraco, não perdoa; o homem habituado às lutas pessoais, às reflexões justas e sãs, perdoa facilmente. " 
Lamennais, Revista Espírita de Agosto de 1862
"A verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos de Deus para o mundo.
Entre os verdadeiros discípulos da sua doutrina deve reinar perfeita fraternidade. Devem amar os infelizes, os criminosos, como criaturas de Deus, para as quais, desde que se arrependam, serão concedidos o perdão e a misericórdia, como para vós mesmos, pelas faltas que cometeis contra a sua lei. Pensai que sois mais repreensíveis, mais culpados que aqueles aos quais recusais o perdão e a comiseração, porque eles quase sempre não conhecem a Deus, como o conheceis, e lhes será pedido menos do que a vós.          
Não julgueis, oh! Não julgueis, meus queridos amigos, porque o juízo com que julgardes vos será aplicado ainda mais severamente, e tendes necessidade de indulgência para os pecados que cometeis sem cessar. Não sabeis que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza, mas que o mundo não considera sequer como faltas leves?
A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem mesmo nas palavras de consolação com que as acompanhais. Não , não é isso apenas que Deus exige de vós! A caridade sublime, ensinada por Jesus, consiste também na benevolência constante, e em todas as coisas, para com o vosso próximo. Podeis também praticar esta sublime virtude para muitas criaturas que não necessitam de esmolas, e que palavras de amor, de consolação e de encorajamento conduzirão
ao Senhor.
Aproximam-se os tempos, ainda uma vez vos digo, em que a grande fraternidade reinará sobre o globo. Será a lei de Cristo a que regerá os homens: somente ela será freio e esperança, e conduzirá as almas às moradas dos bem-aventurados. Amai-vos, pois, como os filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre vós e os infelizes, porque Deus deseja que todos sejam iguais; não desprezeis a ninguém. Deus permite que os grandes criminosos estejam entre vós, para vos servirem de ensinamento. Brevemente, quando os homens forem levados à prática das verdadeiras leis de Deus, esses ensinamentos não serão mais necessários, e todos os Espíritos impuros serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências.

Deveis a esses de que vos falo o socorro de vossas preces: eis  a verdadeira caridade. Não deveis dizer de um criminoso: “É um miserável; deve ser extirpado da Terra; a morte que se lhe inflige é muito branda para uma criatura dessa espécie”. Não, não é assim que deveis falar! Pensai no vosso modelo, que é Jesus. Que diria ele, se visse esse infeliz ao seu lado? Havia de lastimá-lo, considerá-lo como um doente muito necessitado, e lhe estenderia a mão. Não podeis, na verdade, fazer o mesmo, mas pelo menos podeis orar por ele, dar-lhe assistência espiritual durante os instantes que ainda deve permanecer na Terra. O arrependimento pode tocar-lhe o coração, se orardes com fé. É vosso próximo, como o melhor dentre os homens. Sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar. Ajudai-o, pois, a sair do lamaçal, e orai por ele." 
E. S. E.Cap. XI, item 14

domingo, 23 de setembro de 2018

Importância da Educação da Mediunidade (25 de setembro)



"Escolhos dos Médiuns      
 A mediunidade é uma faculdade multiforme que apresenta uma variedade infinita de matizes em seus meios e em seus efeitos. Quem quer que seja apto a receber ou transmitir as comunicações dos Espíritos é, por isso mesmo, médium, seja qual for o modo empregado ou o grau de desenvolvimento da faculdade, desde a simples influência oculta até a produção dos mais insólitos fenômenos. Usualmente, todavia, essa palavra tem uma aceção mais restrita e em geral se refere às pessoas dotadas de um poder mediatriz muito grande, seja para produzir efeitos físicos, seja para transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela palavra.  Embora essa faculdade não seja um privilégio exclusivo, é certo que encontra refratários, pelo menos no sentido que se lhe atribui; também é certo que não se trata de uma faculdade que não apresente escolhos aos que a possuem; que pode alterar-se, perder-se mesmo e, frequentemente, ser uma fonte de graves desilusões. É sobre este ponto que julgamos de utilidade chamar a atenção de todos os que se ocupam das comunicações espíritas, quer diretamente, quer através de um intermediário. Dizemos através de um intermediário porque importa também aos que se servem de médiuns poder apreciar o valor e a
confiança que merecem suas comunicações.(…)
Para perceber este estado de coisas e compreender o que vamos dizer, é necessário reportar-se a esse princípio fundamental: que entre os Espíritos há os de todos os graus no bem e no mal, em ciência e em ignorância; que os Espíritos pululam à nossa volta e, quando imaginamos estar sozinhos, estamos incessantemente rodeados de seres que se nos acotovelam, uns com indiferença, como estranhos, outros que nos observam com intenções mais ou menos benevolentes, conforme a sua natureza.(…)
Essas considerações nos levam naturalmente à questão dos médiuns. Estes últimos estão, como todo o mundo, submetidos à influência oculta dos Espíritos bons e maus; eles os atraem ou os repelem conforme as simpatias de seu próprio Espírito, aproveitando-se os Espíritos maus de todas as falhas, como de uma falta de couraça para introduzir-se junto a eles e intrometer-se, mau grado seu, em todos os atos de sua vida privada. Além disso esses Espíritos, encontrando no médium um meio de expressar seu pensamento de modo inteligível e de atestar sua presença, interferem nas comunicações e as provocam, porque esperam ter mais influência por esse meio e acabam por assenhorear-se dele.
Vêem-se como se estivessem em sua própria casa, afastando os Espíritos que lhes poderiam criar  obstáculos e, conforme a necessidade, tomando-lhes os nomes e mesmo a linguagem, a fim de enganar o médium. Mas não podem representar esse papel por muito tempo: logo são  mascarados pelo observador experimentado e prevenido. Se o médium se deixa dominar por essa influência os Espíritos bons se afastam, ou absolutamente não vêm quando chamados ou só vêm com relutância, porque vêem que o Espírito que está identificado com o médium, na casa do qual estabeleceu residência, pode alterar as suas instruções. Se tivermos de escolher um intérprete, um secretário, um mandatário qualquer, é evidente que escolheremos não apenas um homem capaz mas, também, que seja digno da nossa estima, da mesma forma que não confiamos uma missão delicada e nossos próprios interesses a um homem desequilibrado ou que frequente uma sociedade suspeita.(...)

Isso se aplica a todos os gêneros de médiuns, seja de manifestações físicas, seja de comunicações inteligentes. Infelizmente o orgulho é um dos defeitos que estamos menos dispostos a confessar a nós mesmos e menos ainda aos outros, porque eles não acreditariam. Ide, pois, dizer a um desses médiuns que se deixa levar como uma criança, que logo ele vos virará as costas, dizendo que sabe conduzir-se muito bem e que não enxergais as coisas claramente. Podeis dizer a um homem que ele é bêbado, debochado, preguiçoso, incapaz, imbecil e ele rirá ou concordará; dizei-lhe que é orgulhoso e ficará zangado, prova evidente de que tereis dito a verdade. Neste caso, os conselhos são tanto mais difíceis quanto mais o médium evita as pessoas que os possam dar, fugindo de uma intimidade que teme. Os Espíritos, sentindo que os conselhos são golpes desferidos contra seu poder, impelem o médium ao contrário, para aqueles que o entretêm em suas ilusões.
Preparam-se, assim, muitas deceções, com o que o amor-próprio do médium terá muito a sofrer. Feliz ainda se não lhe resultar coisa mais grave.
Se insistimos longamente sobre este ponto é porque em muitas ocasiões a experiência nos tem demonstrado estar aí uma das grandes pedras de tropeço para a pureza e a sinceridade das comunicações mediúnicas. É quase inútil, depois disso, falar das outras imperfeições morais,
tais como o egoísmo, a inveja, o ciúme, a ambição, a cupidez, a dureza de coração, a ingratidão, a sensualidade, etc. Cada um haverá de compreender que são outras tantas portas abertas aos Espíritos imperfeitos ou, pelo menos, causas de fraqueza. Para repelir esses últimos não basta dizer-lhes que se vão; nem mesmo basta querer e ainda menos conjurá-los: é preciso fechar-lhes a porta e os ouvidos, provar-lhes que somos mais fortes do que eles, o que incontestavelmente seremos um dia, pelo amor do bem, pela caridade, pela doçura, pela simplicidade, pela modéstia e pelo desinteresse, qualidades que nos atraem a benevolência dos Espíritos bons. É o apoio destes que nos dá força e, se algumas vezes nos deixam à mercê dos maus, é para testarem a nossa fé e o nosso caráter.
Que os médiuns não se assustem em demasia a severidade das condições que acabamos de falar; haverão de convir que são lógicas e seria erro contrariá-las. É verdade que as más comunicações que podemos obter são o indício d-e alguma fraqueza, mas nem sempre um sinal de indignidade. Podemos ser fracos e ser bons. É, em todo caso, um meio de reconhecer nossas próprias imperfeições. Já dissemos em outro artigo: não é necessário ser médium para se estar sob a influência de Espíritos maus, que agem na sombra. Com a faculdade mediúnica o inimigo se mostra e se trai; sabemos com quem tratamos e podemos combatê-lo. É assim que uma má comunicação pode tornar-se uma lição útil, se soubermos aproveitá-la. Seria injusto, além disso, tributar todas as más comunicações à conta do médium. Falamos daquelas que ele obtém sozinho, fora de qualquer outra influência, e não das que são produzidas num meio qualquer. Ora, todos sabem que os Espíritos atraídos por esse meio podem prejudicar as manifestações, quer pela diversidade de caracteres, quer por defeito de recolhimento. É regra geral que as melhores comunicações ocorrem
na intimidade e num círculo concentrado e homogêneo. Em toda comunicação encontram-se em jogo diversas influências: a do médium, a do ambiente e a da pessoa que interroga.
Essas influências podem reagir umas sobre as outras, neutralizar-se ou corroborar-se: vai depender do fim a que nos propomos e do pensamento dominante. Vimos excelentes comunicações obtidas em círculos e que não reuniam todas as condições desejáveis. Nesse caso, os Espíritos bons vinham por causa de uma pessoa em particular, porque isso era útil. Vimos também más comunicações obtidas por bons médiuns, unicamente porque o interrogador não tinha intenções sérias e atraía Espíritos levianos que dele zombavam. Tudo isso demanda tato e observação, concebendo-se facilmente a preponderância que devem ter todas essas condições reunidas." Allan Kardec, Revista Espírita de Fevereiro de 1859
     
 "Qualquer pessoa que conheça as condições em que os bons Espíritos se comunicam, sua repulsa a todas as formas de interesse egoísta, e saiba como pouca coisa basta para afastá-los, jamais poderá admitir que Espíritos Superiores estejam à disposição do primeiro que os convocar a tanto por sessão. O simples bom senso repele semelhante coisa. Não seria ainda uma profanação, evocar por dinheiro os seres que respeitamos ou que nos são caros? Não há dúvida que podemos obter manifestações dessa maneira, mas quem poderia garantir-lhes a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos e espertos, e toda a turba de Espíritos inferiores, muito pouco escrupulosos, atendem sempre a esses chamados, e estão prontos a responder ao que lhes perguntarem, sem qualquer preocupação com a verdade. Aquele, pois, que deseja comunicações sérias, deve primeiro procurá-las com seriedade, esclarecendo-se quanto à natureza das ligações do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira condição para se conseguir a boa vontade dos bons Espíritos é a que decorre da humildade, do devotamento e da abnegação: o mais absoluto desinteresse moral e material." E. S. E. Cap. XXVI, item 8

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Tenho 1000 amigos online à luz do espiritismo (18 de setembro)







      
"Como o progresso intelectual pode conduzir ao progresso moral?


   
— Dando a compreensão do bem e do mal, pois então o homem pode escolher.
O desenvolvimento do livre-arbítrio segue-se ao desenvolvimento da inteligência
e aumenta a responsabilidade do homem pelos seus atos."  Q. 780, Livro dos Espíritos


      
 "O homem,
inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela emoção para a vida em
sociedade.  O seu insulamento, a pretexto
de servir a Deus. constitui uma violência à lei natural, caracterizando-se por
uma fuga injustificável às responsabilidades do dia-a-dia.


 Graças à dinâmica da atualidade, diminuem as
antigas incursões ao isolacionismo, seja nas regiões desérticas para onde o
homem fugia a buscar meditação, seja no silêncio das clausuras e monastérios
onde pensava perder-se em contemplação.


 O
Cristianismo possui o extraordinário objetivo de criar uma sociedade equilibrada,
na qual todos os seus membros sejam solidários entre si.


 Negar o mundo” do conceito evangélico, não
significa abandoná-lo, antes criar condições novas, a fim de modificar-lhe as
estruturas negativas e egoísticas, engendrando recursos que o transformem em
reduto de esperança, de paz, perfeito símile do “reino dos céus”, a que se
reportava Jesus.


 A
vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de
fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e
consertando problemas.


 Viver o Cristo é também conviver com o
próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições, sem constituir-lhe fiscal ou
pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao
despertar e à mudança de conduta de motu próprio.


 A
reforma pessoal de alguém inspira confiança, gera simpatia, modifica o meio e
renova os cômpares com quem cada um se afina.


 Isolar-se, portanto, a pretexto de servir ao
bem não passa de uma experiência na qual o egoísmo predomina, longe da luta que
forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade."


Mensagem n 31, INTERCÂMBIO SOCIAL, do
Livro Leis Morais da Vida, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito de Joanna
de Angelis


     "Vivei
com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades,
e até mesmo às frivolidades de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza
que as possa santificar." O Homem Do Mundo, E. S. E. Cap. XVII, ítem 10


"Mas vós que vos retirais do mundo para evitar suas seduções e
viver no isolamento, qual a vossa utilidade na Terra? Onde está a vossa coragem
nas provas, pois que fugis da luta e desertais do combate?" E. S. E. Cap.
V, item 26


"Q. 766. A vida social está em a Natureza?


 “Certamente. Deus fez o homem
para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras
faculdades necessárias à vida de relação.” Q. 766, Livro Dos Espíritos


      
 "É que estais preparados por
uma semeadura fecunda: a do último século, que implantou na sociedade as
grandes ideias de progresso. E como tudo se encadeia, sob as ordens do
Altíssimo, todas as lições recebidas e assimiladas resultarão nessa mudança
universal do amor ao próximo." Lei de Amor, E. S. E. Cap. XI, item 10

domingo, 9 de setembro de 2018

O casamento (11 de setembro)



"Ensinos e Dissertações Espíritas" "UNIÃO SIMPÁTICA DAS ALMAS"
(Bordeaux, 15 de fevereiro de 1862 – Médium: Sra. H...)
"P. – Já me dissestes várias vezes que nos reuniríamos para não mais nos separarmos. Como poderá dar-se isto? As reencarnações, mesmo as que se seguem às da Terra, nem sempre separam por um tempo mais ou menos longo?
Resp. – Eu to disse: Deus permite aos que se amam sinceramente e souberam sofrer com resignação para expiar suas faltas, reunir-se, a princípio no mundo dos Espíritos, onde progridem juntos, a fim de conseguirem encarnações nos mundos superiores. Podem, pois, se o pedirem com fervor, deixar os mundos espíritas na mesma época, reencarnar nos mesmos lugares e, por um encadeamento de circunstâncias previstas, reunir-se pelos laços que mais convierem aos seus corações. Uns terão pedido para serem pai ou mãe de um Espírito que lhes era simpático e se sentirão felizes por o dirigirem no bom caminho, cercando-o dos ternos cuidados da família e da amizade. Outros terão pedido a graça de se unirem pelo matrimônio e verem escoar-se muitos anos de felicidade e de amor. Refiro-me ao casamento entendido no sentido da união íntima de dois seres que não querem separar-se mais. Entretanto, tal como é compreendido na Terra, o casamento não é conhecido nos mundos superiores. Nesses lugares de felicidade, de liberdade e de alegria, os laços são de flores e de amor; e não creias que, por isso, sejam menos duráveis. Só o coração fala e guia nessas uniões tão doces. Uniões livres e felizes, casamento de almas perante Deus, eis a lei do amor dos mundos superiores! E os seres privilegiados dessas regiões abençoadas, sentindo-se mais fortemente ligados por semelhantes sentimentos do que o são os homens da Terra, que muitas vezes desprezam os mais sagrados compromissos, não oferecem o deplorável espetáculo de uniões perturbadas incessantemente pela influência dos vícios, das paixões inferiores, da inconstância, da inveja, da injustiça, da aversão, de todas essas horríveis inclinações que conduzem ao mal, ao perjúrio e à violação dos mais solenes juramentos. Pois bem! esses casamentos abençoados por Deus, essas uniões tão afetuosas são a recompensa daqueles que, tendo-se amado profundamente no sofrimento, pedem ao Senhor, justo e bom, para continuarem a se amar em mundos superiores, sem, contudo, temerem uma próxima e dolorosa separação. Que haverá nisso que não seja fácil de compreender e admitir? Deus, que ama a todos os seus filhos, não teria podido criar, para aqueles que se tivessem tornado dignos, uma felicidade tão perfeita quanto cruéis tinham sido as provas? Que poderia conceder de mais conforme ao sincero desejo de todo coração amoroso? De todas as recompensas prometidas aos homens, haverá algo semelhante a esse pensamento, a essa esperança, eu poderia dizer, a essa certeza: unir-se aos seres adorados para a eternidade? Crê-me, filha querida, nossas secretas aspirações, essa necessidade misteriosa, mas irresistível de amar, de amar longamente, de amar sempre, não foi colocada por Deus nos nossos corações senão porque a promessa do futuro nos permitia essas doces esperanças. Deus não nos fará experimentar as dores da deceção. Nossos corações querem a felicidade e só palpitam pelas afeições puras. A recompensa só poderia ser a perfeita realização de nossos sonhos de amor. Do mesmo modo que, pobres Espíritos
sofredores destinados à provação, foi-nos preciso pedir e, por vezes, até mesmo escolher as mais cruéis expiações, também escolhemos, como Espíritos felizes e regenerados, na nova vida destinada a nos depurar ainda mais, a soma de felicidades concedidas ao Espírito adiantado. Tens aí, filha bem-amada, uma exposição sumária das felicidades futuras. Muitas vezes teremos ocasião de voltar a esse agradável assunto. Deves compreender quanto a perspetiva desse futuro me torna feliz e quanto me é doce confiar-te as minhas esperanças!"
Allan Kardec, Mês de Julho da Revista Espírita de 1862
"Deus quis que os seres se unissem, não somente pelos laços carnais, mas também pelos da alma, a fim de que a mútua afeição dos esposos se estenda aos filhos, e para que sejam dois, em vez de um, a amá-los, tratá-los e fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, é levada em conta a lei do amor? Absolutamente! Não se consulta o sentimento mútuo de dois seres, que se atraem reciprocamente, pois na maioria das vezes, esse sentimento é rompido. O que se procura não é a satisfação do coração, mas a do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: todos os interesses materiais. Quando tudo corre bem, segundo esses interesses, diz-se que o casamento é conveniente, e quando as bolsas estão bem equilibradas, diz-se que os esposos estão igualmente harmonizados e devem ser muito felizes.
Mas nem a lei civil, nem os compromissos que ela determina, podem suprir a lei do amor, se esta não presidir à união. Disso resulta frequentemente, que aquilo que se uniu à força, por si mesmo se separa, e que o juramento pronunciado ao pé do altar se torna um prejuízo, se foi dito como simples fórmula. São assim as uniões infelizes, que se tornam criminosas. Dupla desgraça, que se evitaria se, nas condições do matrimônio, não se esquecesse à única lei que o sanciona aos olhos de Deus: a lei do amor. Quando Deus disse: “Serão dois numa só carne”, e quando Jesus advertiu: “Não separe o homem o que Deus juntou”, isso deve ser entendido segundo a lei imutável de Deus, e não segundo a lei instável dos homens."
E. S. E. Cap. XXII, item 3

O Casamento é Lei de Progresso, Igualdade, mas acima de tudo Lei de AMOR

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Quês e porquês de um Espírita: Pluralidade dos Mundos Habitados-2°parte (4 de setembro)



"Pluralidade das Existências e dos Mundos Habitados PELO DR. GELPKE Devemos à gentileza de um dos nossos correspondentes de Bordeaux a interessante passagem que se segue, extraída de uma obra intitulada: Exposição da grandeza da criação universal, pelo Dr. Gelpke, publicada em Leipzig em 1817. “...Se, pois, a construção de todos os mundos que brilham acima de nós pudesse ser submetida ao nosso exame, de que admiração não seríamos tomados, vendo a diversidade desses globos, cada um dos quais organizado de modo diverso do seu mais próximo vizinho na ordem da criação! E, como já disse, sendo incalculável o número dos mundos, sua construção também deve ser infinitamente diferente.
“Além disso, como de cada mundo depende a organização dos seres que o habitam, estes devem, tanto interna como externamente, diferir essencialmente em cada globo. Agora, se considerarmos a multiplicidade e a imensa variedade das criaturas em nossa Terra, onde nem mesmo uma folha se assemelha a outra, e se admitirmos uma tão grande variedade de criaturas em cada mundo, quão prodigiosa nos parecerá a multidão no incomensurável reino de Deus!
“Qual não será, pois, um dia, a plenitude de nossa felicidade, quando, sob invólucros sempre mais perfeitos, penetrarmos sucessivamente mais à frente os mistérios da criação e encontrarmos mundos sem-fim, povoando um espaço sem-fim!
Então, quanto Deus não nos parecerá ainda mais adorável, ele que tirou tudo isso do nada, ele cuja bondade sem limites criou tudo isto apenas para a satisfação dos seres vivos e cuja sabedoria ordenou isto tudo de maneira tão admirável!
“Mas nossa residência e nossa conformação atuais podem proporcionar-nos tal felicidade? Para isto não necessitamos de outra morada, que nos coloque mais cedo no domínio da criação, e de um envoltório muito mais sutil e mais perfeito, que não entrave o nosso Espírito em seus progressos para a perfeição, e por meio do qual ele poderá ver, sem auxílio, no todo universal, muito além do que o podemos daqui com os nossos melhores instrumentos?
“Mas por que o Criador não nos daria, após vários degraus de existência, um envoltório que, semelhante ao relâmpago, pudesse elevar-se de mundos a mundos, permitindo-nos, assim, olhar tudo de mais perto e, ao mesmo tempo, abarcar melhor o conjunto pelo pensamento? Quem ousaria duvidá-lo, quando vemos a brilhante borboleta nascer da lagarta, e á arvore deslumbrante de flores provir de um caroço!
Se Deus assim desenvolve pouco a pouco a lagarta e no-la mostra esplendidamente transformada, se também desenvolve o germe por graus, quanto não nos fará progredir a nós homens, reis da Terra, e avançar na Criação!” Pluralidade dos mundos habitados, pluralidade das existências, perispírito, progresso contínuo e infinito da alma, tudo está aí." REVISTA ESPÍRITA DE NOVEMBRO DE 1863
"Faríamos uma idéia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados; numa galé, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, a maior parte dos
habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem: consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correção os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correção, são lugares de delícias.
Ora, da mesma maneira que , numa cidade, toda a população não se encontra nos hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais."E. S. E. Cap. III, item 7