terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Deus e nós ou Deus em nós? (11 de novembro)


Importa que iniciemos a nossa reflexão com a questão que se segue, que pela sua pertinência se apresenta como primeira questão do Livro dos Espíritos.
" O que é Deus?
- Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas" Livro dos Espíritos
Ao longo dos tempo, tempos percorridos por todos nós na jornada evolutiva, diferentes foram os entendimentos que tivemos acerca de Deus. 
Impulsionados pelo sentimento de que algo superior existia. Existiria Deus e nós… 
Fomos procurando Deus na força da natureza, onde repartimos o seu poder. Demos-lhe mais tarde contornos humanos quer físicos, quer de conduta. Mas fomos evoluído, e essa evolução trouxe-nos uma maior capacidade de ler e compreender todo o que nos rodeia, de nos inserirmos e de nos reconhecermos na criação de Deus.

"A fé, divina inspiração de Deus, desperta todos os sentimentos que conduzem o homem ao bem: é à base da regeneração. É, pois, necessário que essa base seja forte e durável, pois se a menor dúvida puder abafá-la, que será do edifício que construístes sobre ela? Erguei, portanto, esse edifício, sobre alicerces inabaláveis. Que a vossa fé seja mais forte que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, pois a fé que não desafia o ridículo dos homens, não é a verdadeira fé." 
E. S. E. Cap. XIX, item 11
     "SABER É PARA SEMPRE ENQUANTO CRER É TRANSITÓRIO. VIVE DE TAL FORMA QUE TE ENCONTRES PERFEITAMENTE EM SINTONIA COM AS BÊNÇÃOS DE DEUS ONDE TE ENCONTRES E DIANTE DO QUE FAÇAS."
 Livro "Entrega-te a Deus" de Joanna de Angelis e Divaldo Pereira Franco
Como é que o Espiritismos nos traz Deus?
Como é que encontramos Deus em nós?

Trataremos o tema amanhã na Associação Espírita de Évora.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Conflitos Familiares (2°parte) 4 de dezembro

Quem somos nós em contexto familiar? … porque há muito a analisar (2ª parte)

 "A família é a base fundamental sobre a qual se ergue o imenso edifício da sociedade. No
pequeno grupo doméstico inicia-se a experiência da fraternidade universal,
ensaiando-se os passos para os nobres cometimentos em favor da construção da sociedade equilibrada.
Em razão disso, toda vez que a família se entibia ou se enfraquece a sociedade experimenta conflitos, abalada nas suas estruturas. Vive-se, na Terra, destes dias, injustificável agressão à constelação familiar, defluente dos transtornos e insatisfações que tomam as mentes e os corações juvenis. Aturdidos, ante os tormentos que vêm assaltando os adultos, alguns, irresponsáveis, outros, imaturos em relação aos compromissos graves do lar, que se deixam arrastar pelas utopias do prazer, em detrimento das bênçãos do dever em relação à família, desgarram-se, e, sem rumo, atiram-se nos resvaladouros da alucinação, desesperados, investindo contra o instituto doméstico. A aparente falência das uniões consagradas pelo matrimônio, assim como a de todas aquelas que frutesceram em descendentes, não é da família, mas da desestruturação da ética e da moral, vitimadas pelas mudanças impostas pelos denominados novos tempos, nos quais, escravizando-se às paixões dissolventes, os indivíduos optam pela ansiosa conquista das coisas e dos fetiches da tecnologia que os distraem e entorpecem." 
Constelações familiares,
Divaldo Franco pelo esp. Joanna d´Angelis
"Os Espíritos cuja similitude de gostos, identidade do progresso moral e a afeição, levam a reunir-se, formam famílias. Esses mesmos Espíritos, nas suas migrações terrenas, buscam-se para agrupar-se, como faziam no espaço, dando origem às famílias unidas e homogêneas. E se, nas suas peregrinações, ficam momentaneamente separados, mais tarde se reencontram, felizes por seus novos progressos. Mas como não devem trabalhar somente  para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos adiantados venham encarnar-se entre eles, a fim de haurirem conselhos e bons exemplos, no interesse do seu próprio progresso. Eles causam, por vezes, perturbações no meio, mas é lá que está a prova, lá que se encontra a tarefa.
Recebei-os, pois, como irmãos; ajudai-os, e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo do naufrágio os que, por sua vez, poderão salvar outros." 
E.S.E. Cap. XIV, item 9 - I – A Ingratidão
dos Filhos e os Laços de Família de SANTO AGOSTINHO, Paris, 1862


 “O lar, desse modo, é o santuário de união, no qual se retificam situações penosas e ações odientas.
 Constelações
familiares, Divaldo Franco pelo esp. Joanna d´Angelis

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Conflitos familiares (27 de novembro)

Quem somos nós em contexto familiar?

“Os Espíritos que se encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, são os mais frequentemente Espíritos simpáticos, ligados por relações anteriores, que se traduzem pela afeição durante a vida terrena.”
“Mas pode ainda acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns aos outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem também por seu antagonismo na Terra, a fim de lhes servir de prova." 
E.S.E.Parentesco corporal e espiritual, item 8

“O lar, desse modo, é o santuário de união, no qual se retificam situações penosas
e ações odientas.”

Constelações familiares, Divaldo Franco pelo esp. Joanna Angelis

É nestas situações, e, porque nos encontramos em diferentes níveis de consciência que surgem os conflitos familiares.

Fundamental será sempre treinar a paciência que, como diz Joanna de Angelis. no livro "Jesus e o Evangelho à luz da Psicologia Profunda, a paciência é a ciência da paz, então precisamos tornar-nos pacíficos dentro do lar. Sendo o lar a nossa maior escola, nele temos oportunidade de aprender em conjunto com os demais familiares a ser paciente, tolerante, indulgente, a perdoar... e todas as virtudes de que Cristo foi exemplo e nos veio ensinar.

Nesta caminhada construtiva, embora por vezes turbulenta, ensaiamo-nos para o Amor, quando aprendemos a aceitar o outro, a respeita-lo como ele está.

Conflitos familiares, abençoadas relações difíceis que nos impelem ao progresso.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Injurias e Violência (20 de novembro)



  "O homem quer ser feliz: esse sentimento está na sua própria natureza; eis porque ele trabalha sem cessar para melhorar a sua situação na Terra, e procura as causas de seus males para os remediar. Quando compreender bem que o egoísmo é uma dessas causas, aquela que engendra o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, dos quais a todo momento ele é vítima, que leva a perturbação a todas as relações sociais, provoca as dissensões, destrói a confiança, obrigando-o a se manter constantemente numa atitude de defesa em face do seu vizinho, e que, enfim, do amigo faz um inimigo, então ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua própria felicidade. Acrescentaremos que é incompatível com a sua própria segurança. Dessa maneira, quanto mais sofrer mais sentirá a necessidade de o combater, como combate a peste, os animais daninhos e todos os outros flagelos. A isso será solicitado pelo seu próprio interesse. (Ver item 784.)
O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade é a fonte de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se ele deseja assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro."  Livro dos Espíritos, "Q.n.917. Qual é o meio de se destruir o egoísmo?"

Pacífica Sempre
"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus." - Jesus
"Por muitas sejam as dores que te aflijam a alma, asserena-te na oração e pacifica os quadros da própria luta. 
Se alguém te fere, pacifica desculpando.
Se alguém te calunia, pacifica servindo.
Se alguém te menospreza, pacifica entendendo.
Se alguém te irrita, pacifica silenciando.
O perdão e o trabalho, a compreensão e a humildade são as vozes inarticuladas de tua própria defesa.
Golpes e golpes são feridas e mais feridas.
Violência com violência somam loucura.
Não ergas o braço para bater, nem abras o verbo para humilhar.
Diante de toda perturbação, cala e espera, ajudando sempre.
O tempo sazona o fruto verde, altera a feição do charco, amolece o rochedo e cobre o ramo fanado de novas flores.
é clima de fel.
Azedume é princípio de maldição.
Onde estiveres, pacifica.
Seja qual for a ofensa, pacifica.
E perceberás, por fim, que a paz do mundo é dom de Deus, começando de ti."
"Palavras de Vida Eterna"
de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier
 "Quando a lei de amor e caridade for à lei da humanidade, não haverá mais egoísmo; o fraco e o pacífico não serão mais explorados nem espezinhados pelo forte e o violento. Será esse o estado da Terra, quando, segundo a lei do progresso e a promessa de Jesus, ela estiver transformada num mundo feliz, pela expulsão dos maus." 
E. S. E.Cap. IX, item 5

domingo, 11 de novembro de 2018

O porquê das nossas dores... (13 de novembro)


Por que uns sofrem mais que outros?


Como justificar as (aparentes) anomalias que parecem desmentir a justiça de Deus?



As causas das minhas aflições estarão na vida presente ou numa vida pretérita?

A Doutrina dos Espíritos, no Evangelho Segundo o Espiritismo e no Livro dos Espíritos, esclarecem-nos acerca destas e de outras questões que tanto nos inquietam, dando-nos a oportunidade na vida presente de compreender, pois só após a compreensão vem a aceitação e com elas a aprendizagem e o crescimento. 



Abordaremos este tema na AEE, onde contamos com a presença e, esta semana também, com a participação de todos os que queiram colocar questões que nos ajudem a dinamizar e esclarecer as causas das nossas aflições.

"Todos nos encontramos sujeitos ao que se convencionou chamar adversidade.
uma tragédia, uma ocorrência marcante pela dor que produz, um acontecimento nefasto, a perda de uma pessoa querida constituem infortúnios que maceram.
Prejuízos financeiros, danos morais, enfermidades catalogadas como irreversíveis são adversidades desastrosas em muitas existências.
No entanto, se fosse encarada a vida do ponto de vista espiritual, o homem compreenderia a razão de tais insucessos e não se entregaria a desastres mais graves, quais a loucura e o suicídio, a fuga pelo álcool ou pelos tóxicos.
A existência física não transcorre qual nau sem rumo em mar encapelado.
Os atos anteriores e a conduta atual são-lhe mapa e rota para chegar ao destino pelo qual o individuo opta.
Realmente desastrosos são os males que se praticam em relação ao próximo, pois que eles irão fomentar as adversidades de amanhã, que são os inabaláveis resgates do infrator."
Episódios Diários, mensagem 34, Divaldo Franco pelo espírito Joanna de Ângelis


Ajuda-te que o céu te ajudará (aconteceu dia 6 de novembro)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A vida que não termina com a morte (30 de outubro)



"Correspondência de Além-Túmulo
ESTUDO MEDIÚNICO
Para a compreensão do fato principal de que se trata, extraímos a passagem seguinte da carta de um de nossos assinantes; é, além disso, uma simples e tocante expressão das consolações que os aflitos haurem no Espiritismo:
Permiti vos diga o quanto o Espiritismo me tem aliviado, ao dar-me a certeza de rever num mundo melhor um ser que amei com um amor sem limites, um irmão querido, morto na flor da idade. Como é consolador o pensamento de que aquele cuja morte pranteamos muitas vezes está perto de nós, sustentando-nos quando estamos acabrunhados sob o peso da dor, alegrando-se quando a fé no futuro nos deixa entrever um encontro certo!
Iniciado há alguns anos nos admiráveis preceitos do Espiritismo, tinha aceitado todas as suas verdades e me esforçava por viver aqui de maneira a apressar o meu adiantamento. Minhas boas resoluções tinham sido tomadas muito sinceramente; confesso, todavia, que não possuindo os elementos necessários para fortalecer e sustentar minha crença na comunicação dos Espíritos, pouco a pouco me havia habituado, não a rejeitá-la, mas a encará-la com mais indiferença. É que a desgraça até então me era desconhecida. Hoje, que a Deus aprouve enviar-me uma prova dolorosa, hauri no Espiritismo preciosas consolações e sinto necessidade de vo-lo agradecer muito particularmente, como o primeiro propagador desta santa doutrina.
Não sendo a doutrina do Espiritismo uma simples hipótese, mas apoiando-se em fatos patentes e ao alcance de todo o mundo, as consolações que proporciona consistem não apenas na certeza de rever as pessoas amadas, mas, também e sobretudo, na possibilidade de corresponder-se com elas e delas obter salutares ensinos.”
Assim convicto, o irmão vivo escreveu ao irmãomorto a seguinte carta, solicitando a resposta através de um médium:
N..., 14 de março de 1865
Meu irmão bem-amado,
É-me impossível dizer-te quanto fiquei feliz ao ler a carta que me enviaste através do médium de S... Comuniquei-a aos nossos pobres pais, a quem muito afligiste, ao deixá-los de maneira tão inesperada. Eles me pediram que te escrevesse novamente, que te pedisse novos detalhes sobre tua existência atual, a fim de poderem crer, por provas que darás facilmente, na realidade do ensino dos Espíritos. Mas, antes de tudo, acerca-te deles, inspira-lhes a resignação e a fé no futuro; consola-os, pois necessitam ser consolados, alquebrados que estão por um golpe tão inesperado.
Quanto a mim, ó meu irmão bem-amado, serei sempre feliz quando te for permitido dar as tuas notícias. Hoje venho pedir-te novos detalhes sobre a tua moléstia, tua morte e teu despertar no mundo dos Espíritos.
Quais os Espíritos que vieram receber-te no limiar do mundo invisível? Reviste o nosso avô? Ele é feliz?Reviste e reconheceste nossos parentes, mortos antes de ti, mesmo os que não havias conhecido na Terra? Assististe ao teu sepultamento? Que impressão sentiste? Peço-te que me dês alguns detalhes sobre essa triste cerimônia, que não permitam aos nossos pais duvidarem de tua identidade. Poderias dizer se algum membro de nossa família se tornará médium? Não desejarias comunicar-te através de um de nós?
Não posso compreender que não queiras continuar teus estudos de música, que cultivavas com tanto ardor na Terra; para nós seria uma doce consolação se quisesses terminar, através de um médium, os salmos que começaste a musicar em Paris.
Pudeste constatar o vazio imenso causado por tua morte no coração de todos nós. Suplico-te que inspires a teus pais a coragem necessária para não sucumbirem nesta terrível prova; sê muitas vezes com eles e dá notícias tuas. Quanto a mim, Deus sabe quanto chorei. Apesar de minha crença no Espiritismo, há momentos em que não posso acostumar-me à ideia de não mais te rever na Terra, e em que daria a vida para poder apertar-te ao coração.
Adeus, meu nobre amigo. Pensa algumas vezes naquele cujos pensamentos estão constantemente dirigidos para ti, e que fará o possível para ser julgado digno de um dia estar reunido a ti.
Abraço-te e te aperto ao coração.
Teu irmão devotado, B...
Nota – Em precedente comunicação dada aos pais, através de outro médium, tinha sido dito que o jovem não queria continuar seus estudos musicais no mundo dos Espíritos.
RESPOSTA DO IRMÃO MORTO AO IRMÃO VIVO
Eis-me aqui, meu bom irmão; mas és muito exigente.
Mesmo com a melhor boa vontade não posso responder, numa só evocação, às numerosas perguntas que me diriges. Então não sabes que por vezes é muito difícil aos Espíritos transmitir o pensamento através de certos médiuns pouco aptos a receber claramente, em seu cérebro, a impressão fotográfica
dos pensamentos de certos Espíritos e que, desnaturando-os, lhes dão um cunho de falsidade, que leva os interessados à negação mais formal das manifestações? Isto é muito pouco lisonjeiro e entristece profundamente os que, em falta de instrumentos adequados, são impotentes para dar suficientes sinais de identidade.
Crê-me, bom irmão, evoca-me em família. Com um pouco de boa vontade e alguns ensaios perseverantes, tu mesmo poderás conversar comigo à vontade. Estou quase sempre perto de ti, porque
sei que és espírita e tenho confiança em ti. É certo que a simpatia atrai a simpatia e que não se pode ser expansivo com um médium que a gente vê pela primeira vez. Entretanto, esforçar-me-ei por satisfazer-te.
Minha morte, que te aflige, era o termo do cativeiro de minha alma. Teu amor, tua solicitude, tua ternura tinham tornado doce o meu exílio na Terra. Mas, nos meus mais belos momentos de inspiração musical, eu voltava o olhar para as regiões luminosas, onde tudo é harmonia, absorto em escutar os acordes longínquos da melodia celeste que me inundava em doces vibrações.
Quantas vezes eu me extasiei nesses devaneios arrebatadores, aos quais devia o sucesso de meus estudos musicais, que continuo aqui! Seria um erro extraordinário acreditar que a aptidão individual se perde no mundo espírita; ao contrário, ela se aperfeiçoa, para em seguida levar esse aperfeiçoamento aos planetas onde esses Espíritos são chamados a viver.
Não choreis mais, vós todos, bem-amados pais!
Para que servem as lágrimas? Para enfraquecer, para desencorajar as almas. Parti primeiro, mas vireis encontrar-me. Esta certeza não é bastante poderosa para vos consolar? A rosa, que exalou seus perfumes no carvalho, morre como eu, depois de ter vivido pouco, juncando o solo de pétalas murchas. Mas, por sua vez, o carvalho morre e tem a sorte da rosa que chorou e cujas cores vivas se harmonizam com sua sombria folhagem. Ainda algum tempo e vireis a mim; então cantaremos o cântico dos cânticos e louvaremos a Deus em suas obras. Juntos seremos felizes se vos resignardes à provação que vos aflige.
Aquele que foi teu irmão na Terra e te ama sempre, B...
Vários ensinamentos importantes ressaltam desta comunicação. O primeiro é a dificuldade do Espírito para se exprimir com o auxílio do instrumento que lhe é dado. Conhecemos pessoalmente esse médium, que há muito tempo vem dando provas de força e de flexibilidade da faculdade, sobretudo no que respeita às evocações particulares. É o que se pode chamar um médium seguro e bem assistido. De onde provém, então, esse impedimento? É que a facilidade das comunicações depende do grau de afinidade fluídica existente entre o Espírito e o médium.
Assim, cada médium é mais ou menos apto a receber a impressão ou a impulsão do pensamento de tal ou qual Espírito; pode ser um bom instrumento para um e mau para outro, e este fato em nada desmerece as suas qualidades, pois a condição é mais orgânica do que moral. Assim, pois, os Espíritos buscam de preferência os instrumentos com os quais vibram em uníssono; impor-lhes o primeiro que aparecer e crer que deles possam servir-se indiferentemente, seria a mesma coisa que obrigar um pianista a tocar violino: em virtude de saber música, deve ser capaz de tocar todos os instrumentos.
Sem esta harmonia, a única que pode levar à assimilação fluídica, tão necessária na tiptologia quanto na escrita, as comunicações ou são impossíveis, ou incompletas, ou falsas. Em falta do Espírito, que não se pode ver, se não puder manifestar-se livremente, não faltarão outros, sempre prontos a aproveitar a ocasião, e que pouco se importam com a verdade do que dizem.
Esta assimilação fluídica por vezes é completamente impossível entre certos Espíritos e certos médiuns; outras vezes, e é o caso mais ordinário, só se estabelece gradualmente e com o tempo, o que explica por que os Espíritos que se manifestam habitualmente a um médium o fazem com mais facilidade, e por que as primeiras comunicações quase sempre atestam uma certa dificuldade e são menos explícitas.
Está, pois, demonstrado, tanto pela teoria quanto pela experiência, que não há mais médiuns universais para as evocações, como não os há aptos a todos os gêneros de manifestações. Aquele que pretendesse receber à vontade e no momento certo as comunicações de todos os Espíritos e, por
conseguinte, satisfazer aos legítimos desejos de todos os que querem entreter-se com os seres que lhes são caros, ou daria prova de radical ignorância dos princípios mais elementares da ciência, ou
de charlatanismo e, em todo o caso, de uma presunção incompatível com as qualidades essenciais de um bom médium. Pôde-se acreditar nisto em certo tempo, mas hoje os progressos da ciência teórica e
prática demonstram, em princípio, a sua impossibilidade. Quando um Espírito se comunica pela primeira vez a um médium, sem qualquer dificuldade, isto se deve a uma afinidade fluídica excecional ou anterior, entre o Espírito e seu intérprete.
É, pois, um erro impor um médium ao Espírito que se quer invocar. É preciso deixar-lhe a escolha de seu instrumento.
Mas, indagarão, como fazer quando só se tem um médium, o que é muito frequente? Primeiro, se contentar com o que se tem e abster-se do que não se tem. Não está no poder da ciência espírita mudar as condições normais das manifestações, assim como não cabe à química mudar as da combinação dos elementos.
Contudo, há aqui um meio de atenuar a dificuldade. Em princípio, quando se trata de uma evocação nova, o médium deve sempre evocar o seu guia espiritual, previamente, e indagar se ela é possível. Em caso afirmativo, perguntar ao Espírito evocado se encontra no médium a aptidão necessária para receber e transmitir seu pensamento. Se houver dificuldade ou impossibilidade, pedir-lhe que o faça através do guia do médium ou ser por ele assistido.
Neste caso, o pensamento do Espírito chega de segunda mão, isto é, depois de ter atravessado dois meios.
Compreende-se, então, quanto importa que o médium seja bem assistido, porque se o for por um Espírito obsessor, ignorante ou orgulhoso, a comunicação será alterada. Aqui, as qualidades pessoais do médium forçosamente representam um papel importante, pela natureza dos Espíritos que atrai a si. Os médiuns mais indignos podem dispor de poderosas faculdades; os mais seguros, porém, são os que a essa força juntam as melhores simpatias no mundo invisível. Ora, de modo algum essas simpatias garantem os nomes mais ou menos imponentes dos Espíritos que assinam as comunicações recebidas por via mediúnica.
Esses princípios fundamentam-se ao mesmo tempo na lógica e na experiência. As próprias dificuldades que revelam provam que a prática do Espiritismo não deve ser tratada levianamente.
Outro fato ressalta igualmente da comunicação acima: é a confirmação do princípio de que os Espíritos inteligentes prosseguem na vida espiritual os trabalhos e estudos que empreenderam na vida corporal.
É por isso que damos preferência, nas comunicações que publicamos, àquelas de onde pode sair um
ensinamento útil.
Quanto à carta do irmão vivo ao seu irmão morto, é uma ingênua e tocante expressão da fé sincera na
sobrevivência da alma, na presença dos seres que nos são caros e da possibilidade de continuar com estes as relações de afeição, que a eles nos uniam.
Sem dúvida os incrédulos rirão daquilo que, aos seus olhos, é uma pueril credulidade. Por mais que façam, o nada que preconizam jamais terá encanto para as massas, porque parte o coração e aniquila as mais santas afeições; gela, em vez de aquecer; apavora e desespera, em vez de fortalecer e consolar. Como suas diatribes contra o Espiritismo têm por eixo a doutrina apavorante do nada, não se deve admirar da sua impotência em desviar as massas das novas ideias. Entre uma doutrina desesperadora e outra consoladora, a escolha da maioria não poderia ser duvidosa.
Depois da horrível catástrofe da igreja de Santiago do Chile, em 1864, nela encontraram uma caixa de cartas, nas quais os fiéis depositavam as missivas que dirigiam à Santa Virgem.
Poder-se-ia estabelecer uma paridade entre o fato que excitou a verve dos zombadores e a carta acima? Seguramente, não. Contudo, o erro não era dos que acreditavam na possibilidade de corresponder-se com o outro mundo, mas dos que exploravam essa crença, respondendo às cartas previamente seladas. Há poucas superstições que não tenham seu ponto de partida numa verdade desnaturada pela ignorância. Acusado de as ressuscitar, o Espiritismo vem, ao contrário, reduzi-las ao seu justo valor."

Allan Kardec, Revista Espírita de Abril de 1865
"Regozijai-vos em vez de chorar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe entre os que não tem fé, e que veem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive
melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós; sim, eles estão bem perto: seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.
Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor." 
Evangelho Segundo o  Espiritismo, Cap. V, item 21