terça-feira, 14 de agosto de 2018

Roteiro para a Felicidade: da Indulgência ao Amor (14 de agosto)

"O desconhecido passou, de carro, enlameando-te a veste, como se toda a rua lhe pertencesse...
Compadece-te dele. Corre, desabalado, à procura de alguém que lhe socorra o filhinho nos esgares da morte.
Linda mulher, que pérolas e brilhantes enfeitam, segue a teu lado, parecendo fingir que te não percebe a presença...
Compadece-te! Ela tem os olhos embaciados de pranto e não chegou a ver-te.
Jovem, admiravelmente bem-posto, cruzou contigo, endereçando-te palavra de sarcasmo e de injúria...
Compadece-te! Ele tem os passos no caminho do hospício e ainda não sabe.
O amigo que mais amas negou-te um favor...
Compadece-te dele! Não lhe vês a dificuldade encravada no coração.
Companheiros do mundo!...
Estarão contigo, notadamente no lar, onde guardam os nomes de pai e mãe, esposo e esposa, filhos e irmãos...
Muita vez, levantam-se de manhã, chorosos e doloridos, aguardando um sorriso de entendimento, ou chegam do trabalho, fatigados e tristes, esmolando compreensão.
Todos trazem consigo aflições e problemas que desconheces. Ergue a própria alma e auxilia sempre!...
Indulgência para todos!
Bondade para com todos!...
E, se algum deles te fere diretamente a carne ou a alma, não levantes o braço ou a voz para revidar.
Busca no silêncio a inspiração do Senhor, e o Mestre, como se estivesse descendo da cruz em que pediu perdão para os próprios verdugos, te dirá compassivo:
– Perdoa, sim! Perdoa sempre, porque, em verdade, aqueles que não perdoam também não sabem o que fazem..."
Meimei, Livro O Espírito da Verdade, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Mensagem n° 47, "Perdoa, sim!?" Cap. X – Item 15

"Sede bons e caridosos: eis a chave dos céus, que tendes nas mãos. Toda a felicidade eterna se encerra nesta máxima: “Amai-vos uns aos outros”. A alma não pode elevar-se às regiões espirituais
senão pelo devotamento ao próximo; não encontra felicidade e consolação senão nos impulsos da caridade. Sede bons, amparai os vossos irmãos, extirpai a horrível chaga do egoísmo. Cumprido esse dever, o caminho da felicidade eterna deve abrir-se para vós."
E. S. E. Cap. XII, item 12, Beneficência
"Espiritismo, doutrina consoladora e bendita, felizes os que te conhecem e empregam proveitosamente os salutares ensinos dos Espíritos do Senhor! Para esses, o ensino é claro, e ao longo de todo o caminho eles podem ler estas palavras, que lhes indicam a maneira de atingir o alvo: caridade prática, caridade para o próximo como para si mesmo. Em uma palavra, caridade para com todos e amor de Deus sobre todas as coisas, porque o amor de Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele faz uma lei para todas as criaturas."
E. S. E. Cap. X, item 18, A Indulgência

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Compreendendo os Sonhos (7 de agosto)

"Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de  clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se  passou em mundos desconhecidos entremeadas de coisas do mundo atual formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter senso nem nexo.
      A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho. Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases ao acaso: os fragmentos restantes sendo reunidos, perderiam toda significação racionai." Livro Dos Espíritos, Q. n° 402, Comentário de Kardec

"Teoria dos Sonhos"      
 " É realmente estranho que um fenômeno tão vulgar quanto o dos sonhos tenha sido objeto de tanta indiferença da parte da Ciência, e que ainda se esteja a perguntar a causa dessas visões. Dizer que são produtos da imaginação não é resolver a questão; é uma dessas palavras com o auxílio da qual querem explicar o que não compreendem e que nada explicam. Em todo o caso, a imaginação é um produto do entendimento. Ora, como não se pode admitir entendimento nem imaginação na matéria bruta, é preciso que se creia que a alma nisto entra em alguma coisa. Se os sonhos ainda são um mistério para a Ciência, é que ela se obstinou em fechar os olhos para a causa espiritual.
 Procura-se a alma nos refolhos do cérebro, enquanto ela se ergue a cada instante à nossa frente, livre e independente, numa imensidão de fenômenos inexplicáveis tão-só pelas leis da matéria, notadamente nos sonhos, no sonambulismo natural e artificial e na dupla vista a distância; não nos fenômenos raros, excecionais, sutis, que exigem pacientes pesquisas do sábio e do filósofo, mas nos mais vulgares; lá está ela, parecendo dizer: Olhai e me vereis; estou aos vossos olhos e não me vedes; vistes-me muitas e muitas vezes; vedes-me todos os dias; até as crianças me vêem; o sábio e o ignorante, o homem de gênio e o idiota me vêem, e não me reconheceis.
 Mas há pessoas que parecem ter medo de olhá-la de frente, e de adquirir a prova de sua existência. Quanto aos que a procuram de boa-fé, até hoje lhes faltou a única chave com a qual a teriam reconhecido. Esta chave o Espiritismo acaba de dar pela lei que rege as relações entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Auxiliado por esta lei e pelas observações sobre que se apóia, ele dá dos sonhos a mais lógica explicação jamais fornecida; demonstra que o sonho, o sonambulismo, o êxtase, a dupla vista, o pressentimento, a intuição do futuro, a penetração do pensamento não passam de variantes e de graus de um mesmo princípio: a emancipação da alma, mais ou menos desprendida da matéria.
 Em relação aos sonhos, dá ele conta precisa de todas as variedades que apresentam? Não, ainda não; possuímos o princípio, e já é muito; os que podemos explicar por-nos-ão no caminho dos outros; sem dúvida ainda nos faltam alguns conhecimentos, que adquiriremos mais tarde.
Não há uma única ciência que, de um salto, tenha desenvolvido todas as suas consequências e aplicações; elas não poderão completar-se senão por observações sucessivas. Ora, nascido ontem, o Espiritismo está como a Química nas mãos dos Lavoisier e dos Berthollet, seus primeiros criadores; estes descobriram as leis fundamentais. As primeiras balizas fincadas puseram na via de novas descobertas.

 Entre os sonhos uns há que têm um caráter de tal modo positivo que, racionalmente, não poderiam ser atribuídos apenas a um jogo da imaginação; tais são aqueles nos quais se adquire, ao despertar, a prova da realidade do que se viu, e em que absolutamente não se pensava. Os mais difíceis de explicar são os que nos apresentam imagens incoerentes, fantásticas, sem realidade aparente. Um estudo mais aprofundado do singular fenômeno das criações fluídicas sem dúvida nos porá no caminho."                                                                                                   REVISTA ESPÍRITA, julho de 1865
"São chegados os tempos em que as ideias morais devem desenvolver-se,para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Elas devem seguir o mesmo roteiro que as ideias de liberdade seguiram, como suas precursoras. Mas não se pense que esse desenvolvimento se fará sem lutas. Não, porque elas necessitam, para chegar ao amadurecimento, de agitações e discussões, a fim de atraírem a atenção das massas. Uma vez despertada a atenção, a beleza e a santidade da moral tocarão os Espíritos, e eles se dedicarão a uma ciência que lhes traz a chave da vida futura e lhes abre a porta da felicidade eterna. Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá." E. S. E. Cap. I, item 9


domingo, 29 de julho de 2018

Quês e Porquês de um Espírita: Pluralidade dos Mundos Habitados (31 de julho)



Pluralidade dos Mundos
"Quem ainda não se perguntou, considerando a Lua e os outros astros, se esses globos são habitados?
 Antes que a Ciência nos houvesse iniciado na natureza desses astros, podia-se duvidar; hoje, no estado atual de nossos conhecimentos, pelo menos há probabilidade; mas, a essa ideia verdadeiramente sedutora, são feitas objeções tiradas da própria Ciência.
 Parece, dizem, que a Lua não tem atmosfera e, provavelmente, não tem água.

 Em Mercúrio, tendo em vista a sua proximidade do Sol, a temperatura média deve ser a do chumbo fundido, de sorte que, se ali houver este metal, deve correr como a água dos nossos rios.
 Em Saturno dá-se exatamente o oposto; não temos um termo de comparação para o frio que lá deve reinar; a luz do Sol deve ser muito fraca, apesar do reflexo de suas sete luas e de seu anel, porquanto, àquela distância, o Sol não deve parecer senão como estrela de primeira grandeza.
 Em tais condições, pergunta-se se seria possível viver.
 Não se concebe que semelhante objeção possa ser feita por homens sérios.
 Se a atmosfera da Lua não foi percebida, será racional inferir que não exista?
 Não poderá ser formada de elementos desconhecidos ou bastante rarefeitos para não produzirem refração sensível?
 Diremos a mesma coisa da água ou dos líquidos ali existentes.
 Em relação aos seres vivos, não seria negar o poder divino julgar impossível uma organização diferente da que conhecemos, quando, sob nossos olhos, a providência da Natureza se estende com
uma solicitude tão admirável até o menor inseto, dando a todos os seres órgãos apropriados ao meio em que devem viver, seja a água, o ar ou a terra, estejam imersos na escuridão ou expostos à luz do Sol?
 Se jamais houvéssemos visto peixes, não poderíamos conceber seres vivendo na água; não faríamos uma ideia de sua estrutura.
 Ainda há pouco tempo, quem teria acreditado que um animal pudesse viver indefinidamente no seio de uma pedra?

 Mas, sem falar desses extremos, os seres que vivem sob o forte calor da zona tórrida poderiam existir nos gelos polares?
 E, entretanto, há nesses gelos seres organizados para esse clima rigoroso, incapazes de suportar a ardência de um sol tropical.
 Por que, então, não admitir que os seres possam ser constituídos de maneira a viver em outros globos e em um meio totalmente diferente do nosso?
 Seguramente, sem conhecer a constituição física da Lua, dela sabemos o bastante para estarmos certos de que, tais quais somos, ali não poderíamos viver, como não o podemos no seio do oceano, na companhia dos peixes.
 Pela mesma razão, se os habitantes da Lua, constituídos para viver sem ar ou num ar muito rarefeito, talvez completamente diverso do nosso, pudessem um dia vir à Terra, seriam asfixiados em nossa espessa atmosfera, como ocorre connosco quando caímos na água.
 Ainda uma vez, se não temos a prova material e de visu da presença de seres vivos em outros mundos, nada prova que não possam existir organismos apropriados a um meio ou a um clima qualquer.
 Ao contrário, diz-nos o simples bom-senso que deve ser assim, uma vez que repugna à razão acreditar que esses inumeráveis globos que circulam no espaço não passem de massas inertes e improdutivas.
 A observação, ali, nos mostra superfícies acidentadas, como aqui, por montanhas, vales, barrancos, vulcões extintos ou em atividade; por que, então, lá não haveria seres orgânicos? Seja,
dirão; que haja plantas, mesmo animais, é possível; porém, seres humanos, homens civilizados como nós, conhecendo Deus, cultivando as artes, as ciências, será possível?"  Revista Espírita de MARÇO DE 1858
 "O progresso é uma das leis da natureza. Todos os seres da Criação, animados e inanimados, estão submetidos a ela, pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que parece, para os homens, o fim das coisas, é apenas um meio de levá-las, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer, e nada volta para o nada.
Ao mesmo tempo em que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente. Quem pudesse seguir um mundo em suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos da sua constituição, o veria percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas em graus insensíveis para cada geração, e oferecer aos seus habitantes uma morada mais agradável, à medida que eles também avançam na senda do progresso. Assim marcham paralelamente os progressos do homem, o dos animais seus auxiliares, o dos vegetais e o das formas de habitação, porque nada fica estacionário na natureza.
Quanto esta ideia é grandiosa e digna da majestade do Criador! E como, ao contrário, é pequena e indigna do seu poder aquela que concentra a sua solicitude e a sua providência no impercetível grão de areia da Terra, e restringe a humanidade a algumas criaturas que o habitam!
A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspetos, um grau mais avançado. Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a lei de Deus a governará." E. S. E. Cap. III, item 19

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Utopia Do Tempo Na Eternidade Do Espírito (24 de julho)



"Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental. " Livro dos médiuns, Cap. I, item I
Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal. (...) Admitindo a existência das almas, temos de admitir a dos Espíritos, que nada mais são do que as almas. E se admitimos que as almas estão por toda parte, é necessário admitir que os Espíritos  também estão. Não se pode, pois, negar a existência dos Espíritos sem negar a das Almas."  livro dos
Médiuns, Cap. I, item 2

“Quando, em liberdade, abrimos finalmente nossas asas, Deus nos dá a conhecer o nosso objetivo.  Vemos nossas existências precedentes e avaliamos o progresso realizado durante séculos;   compreendemos as punições e recompensas que nos atingiram, pelas alegrias e pelas dores de nossa vida; vemos nossa inteligência crescer de nascimento em nascimento (...)temos vivido
a Terra muitas vezes, ascendendo de geração em geração, abandonando sem pesar os corpos que nos são confiados e continuando a obra de nosso próprio aperfeiçoamento, através das existências que sofremos." A Alma Errante, mês de Novembro da Revista Espírita de 1859

"Acrescentemos que o estudo de uma doutrina como a espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova e grande, não pode ser feito proveitosamente, senão por homens
sérios, perseverantes, isentos de prevenções e animados de uma firme e sincera vontade de chegar a um resultado." Livro dos Espíritos, Introdução, item VIII Perseverança e seriedade

"Não imagineis, portanto, (...) que  para viver sob o olhar do Senhor, seja preciso entregar-se ao cilício e cobrir-se de cinzas. (...)  Sede felizes no quadro das necessidades humanas, mas que na vossa felicidade não entre jamais um pensamento ou um ato que possa ofender a Deus" E. S. E. Cap. XVII, item 10

"A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre, ou em repelir os prazeres que a condição humana permite.(...) Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de cada dia, mas fazei-o com um  sentimento de pureza que as possa santificar.(...) não melindreis a nenhum daqueles com quem vos encontrardes. Estai sempre alegres e contentes, mas com a alegria de uma boa consciência e a ventura do herdeiro do céu, que conta os dias que o aproximam de sua herança." E. S. E. Cap.XVII, item 10

"O tempo é uma gota de água que cai da nuvem no mar e a sua queda é medida.  O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente.

Se séculos de séculos são menos que um segundo relativamente à eternidade, que vem a ser a duração da vida humana?!" Livro "A Génese", Capítulo VI – O espaço e o tempo

"O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado.(...) O Espírito deve ser cultivado como um campo.(...)Será então que, compreendendo a lei do amor, que une a todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes." item 8

"Pois bem: para praticar a lei do amor, como Deus a quer, é necessário que chegueis a amar, pouco a pouco, e indistintamente, a todos os vossos irmãos.(...)Jesus disse: “Amai ao vosso próximo como a vós mesmos”; ora, qual é o limite do próximo? Será a família, a seita, a nação? Não: é toda a humanidade!" Item 9

"Mas vós já haveis progredido, vós que me escutais: sois infinitamente melhores do que há cem anos; (...)Pois daqui a cem anos aceitará também, com a mesma facilidade, aquelas que ainda não puderam entrar na vossa cabeça.(...)É que essas ideias correspondem ao que há de divino em vós. É que estais preparados por uma semeadura fecunda: a do último século, que implantou na sociedade as grandes ideias de progresso.(...) tu produzirás o grande milagre do século futuro, o da reunião de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima bem compreendida: Amai muito, para serdes amados!" Item 10 do E. S. E, Cap. XI, Da Lei de Amor 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O Enigma das Parábolas de Jesus: Parábola do Semeador (17 de julho)


      "Muitos perguntam por que Deus, durante tanto tempo, teria ocultado aos homens um dogma cujo conhecimento é útil à sua felicidade. Teria amado aos homens menos do que agora?

O amor de Deus é de toda a eternidade. Para os esclarecer enviou sábios, profetas e Jesus-Cristo, o Salvador. Não é uma prova de seu infinito amor? Mas como receberam os homens esse amor? Melhoraram?

O Cristo disse: “Eu poderia ainda vos dizer muitas coisas, mas não seríeis capazes de compreendê-las, devido à vossa imperfeição.” Se tomarmos as Santas Escrituras no seu verdadeiro sentido intelectual, aí encontraremos muitas citações que parecem indicar que o Espírito deve percorrer várias vidas antes de chegar ao fim. Também não se encontram nas obras dos filósofos antigos as mesmas ideias sobre a reencarnação dos Espíritos?

O mundo progrediu bastante, sob o aspeto material, nas ciências, nas instituições sociais; mas, do ponto de vista moral ainda está muito atrasado. Os homens desconhecem a lei de Deus e não ouvem mais a voz do Cristo. Eis por que, em sua bondade e como último recurso para chegar a conhecer os princípios da felicidade eterna, Deus lhes dá a comunicação direta com os Espíritos e o ensino da doutrina da reencarnação, palavras repletas de consolação e que brilham nas trevas dos dogmas de tantas religiões diferentes.

À obra! E que a busca se realize com amor e confiança. Lede sem preconceitos; refleti sobre tudo quanto Deus, desde a criação do mundo, se dignou fazer pelo gênero humano e sereis confirmados na fé que a reencarnação é uma verdade santa e divina."    Ensinos e Dissertações Espíritas A REENCARNAÇÃO (Enviado de Haia – Médium: barão de Kock) Revista Espírita de 1862, mês de Março.

    
 "Naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à borda do mar. E vieram para ele muita gente, de tal sorte que, entrando em uma barca, se assentou, ficando  toda a gente de pé na ribeira; e lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram às aves do céu, e comeram-na. Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha altura de terra. Mas saindo o sol se queimou, e porque não tinha raiz, se secou. Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e crescendo os espinhos, a afogaram. Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. (Mateus, XIII: 1-9 ). Ouvi, pois, vós outros, a parábola do semeador. Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o mau e arrebata o que se semeou no seu coração; este é o que recebeu a semente junto da estrada. Mas o que recebeu a semente no pedregulho, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com gosto; porém, ele não tem em si raiz, antes é de pouca duração, e quando lhe sobrevêm tribulação e perseguição por amor da palavra, logo se escandaliza. E o que recebeu a semente entre espinhos, este é o que ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutuosa. E o que recebeu a semente em boa terra, este é o que ouve a palavra e a entende, e dá fruto, e assim um dá cento, e outro sessenta, e outro trinta por um. (Mateus, XIII: 18-23)."  E. S. E. Capa. XVII, item 5



             "A parábola da semente representa perfeitamente as diversas maneiras pelas quais podemos aproveitar os ensinamentos do Evangelho. Quantas pessoas há, na verdade, para as quais eles não passam de letra morta, que, à semelhança das sementes caídas nas pedras, não produzem nenhum fruto!

            Outra aplicação, não menos justa, é a que se pode fazer às diferentes categorias de espíritas. Não nos oferece o símbolo dos que se apegam apenas aos fenômenos materiais, não tirando dos mesmos nenhuma consequência, pois que neles só veem um objeto de curiosidade? Dos que só procuram o brilho das comunicações espíritas, interessando-se apenas enquanto satisfazem-lhes as imaginações, mas que, após ouvi-las, continuam frios e indiferentes como antes? Dos que  acham muito bons os conselhos, e os admiram, mas para aplicá-los aos outros e não a si mesmos? Dos que, finalmente, para os quais essas instruções são como as sementes que caíram na boa terra e produzem frutos?" E. S. E. Capa. XVII, item 6

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Arrependimento e expiação...Progresso da Alma (10 de julho)

Para que a nossa alma possa progredir, longo caminho há a fazer. Pela juatiça, bondade e amor de Deus podemos, diante da nossa consciência experimentar o arrependimento e a necessidade de corrigir o mal com o bem, desta forma expiar, para crescer, evoluir.

Ao estudarmos o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap V- Bem aventurados os aflitos, podemos compreender a justiça das aflições e as suas causas, assim compreendemos que tudo o que nos acontece de bom e de menos bom está dependente da tal Lei de Causa -Efeito, e que desta forma somos nós os responsáveis pelos trilhos a percorrer.

Além da sugestão de leitura de todo o cap.V, fica aqui o item 18 para reflexão:


I – Bem Sofrer E Mal Sofrer


            18
– Quando Cristo disse: “Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus”, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria, mas ah!, poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolações, se não tiverdes coragem. A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é necessário que se apoie numa fé ardente na bondade de Deus. Tendes ouvido frequentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.
            O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar, e não aspires a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos, quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que um combate sangrento, pois aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral. O homem não recebe nenhuma recompensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso. Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: “Eu fui o mais forte”!
            Bem-aventurados os aflitos, pode, portanto, ser assim traduzidos: Bem-aventurados os que têm a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicado as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso.
LACORDAIRE
Havre, 1863
Evangelho Segundo o Espiritismo

Dores da alma e caminhos a percorrer, será este o tema em estudo esta terça-feira na Associação Espírita de Évora

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Felicidade...na Terra...(3 de julho)

Muitos dizem: "Eu nasci para ser feliz!", e por isso, procuram desenfreadamente a felicidade que adevém da matéria, dos prazeres efémeros, por ainda não lhe terem compreendido a sua grandeza. em consequência destes equívocos não chegam a viver momentos felizes, e desaproveitam grandes oportunidades de crescimentos.

A afirmação correta a este respeito será "Deus criou-nos para sermos felizes!", ao atingirmos todo o progresso a que estamos destinados.
“Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra.”

Revista Reformador(jan´2007)

Na Doutrina Espirita, em particular no Evangelho segundo o Espiritismo e no Livro dos Espíritos, encontramos valiosos esclarecimentos para a busca da Felicidade, uma caminhada interna e solitária.

A FELICIDADE NÃO É DESTE MUNDO

“A Terra é um mundo de provas e expiações onde todos tem a sua quota de trabalho e de miséria, de sofrimento e decepções.”
“A Felicidade na Terra consiste em algo bastante efémero para aquele que não é guiado pela sabedoria.”
Evangelho Segundo o Espiritismo Cap.V, item 20
A Felicidade não é deste mundo principalmente para os que se agarram ao materialismo…
…porém para aqueles que já tem a noção da realidade espiritual…
   “Sois chamados para entrar em contacto com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não melindres a nenhum daqueles com os quais vos encontrardes. Sede alegres, sede contentes; mas com a alegria que a consciência limpa proporciona, com a felicidade do herdeiro do céu, contando os dias que o aproximam da sua herança.”
Evangelho Segundo o Espiritismo Cap.XVII, item 10
Livro doa Espíritos: Perg. 920 – O homem pode gozar de felicidade total na Terra?

R.: Não, por isso a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Porém, dele depende a suavização dos seus males e o ser tão feliz quanto é possível na Terra.

Na próxima terça-feira, 3 de julho, trataremos acerca da Felicidade, na Associação Espírita de Évora.

SER  FELIZ
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou
Construir um castelo ... 
Fernando Pessoa